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25 de Maio de 2017
 
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Blogue História Lusófona
Uma incursão no lusotropicalismo de Gilberto Freyre

Cláudia Castelo

 

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Resumo: No presente texto apresenta-se uma introdução ao lusotropicalismo, doutrina que o cientista social brasileiro Gilberto Freyre (1900-1987) começa a esboçar em Casa-grande & senzala (1933) e em O mundo que o português criou (1940); explicita formal e teoricamente numa conferência que profere em Goa, em 1951; e desenvolve na introdução a Um brasileiro em terras portuguesas (1953), em Integração portuguesa nos trópicos (1958) e no conjunto de artigos reunidos em 1961, em O luso e o trópico. A tese de Freyre postula a especial capacidade de adaptação dos portugueses aos trópicos, que supostamente se traduzia numa intensa miscigenação biológica e cultural. Estas ideias foram instrumentalizadas pelo Estado Novo português, na era das descolonizações, para justificar que Portugal não tinha colónias nem praticava a discriminação racial nos territórios ultramarinos sob a sua soberania; era antes uma «Nação plurirracial e multicontinental», una e indivisível «do Minho a Timor».
Depois de se analisar o processo de incorporação do lusotropicalismo no discurso do Estado Novo, no período do colonialismo tardio, aborda-se brevemente a sua receção crítica e perscruta-se o seu lugar no imaginário nacional português.

Palavras-chave: Lusotropicalismo; Estado Novo português; ideologia colonial; imaginário nacional.

 

Abstract: This paper presents an introduction to the Lusotropicalism, the doctrine that the Brazilian social scientist Gilberto Freyre (1900-1987) begins to sketch in Casa-Grande & Senzala (1933) and in O mundo que o português criou (1940); he formally and theoretically explains it in a conference in Goa in 1951, and later develops in the introduction to Um brasileiro em terras portuguesas (1953), in the Integração portuguesa nos trópicos (1958) and in a group of articles collected in 1961 under O luso e o trópico. Freyre’s thesis postulates the special Portuguese ability to adapt to the tropics, supposedly materialized into intense biological and cultural mixing. These ideas were manipulated by the Portuguese Estado Novo, in the era of decolonization, to justify that Portugal had no colonies nor practiced racial discrimination in the territories under its sovereignty; it was rather a ‘multi-racial and multi-continental nation’, one and indivisible ‘from Minho to Timor’.
After analyzing the incorporation of Lusotropicalism in the discourse of the Estado Novo, in the late period of colonialism, this text briefly addresses its critical acceptance and scrutinizes its place in the Portuguese national imaginary.
Keywords: Lusotropicalism; Portuguese New State; colonial ideology; national imaginary.

 

 

2011-09-01
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