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29 de Abril de 2017
 
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Noite Europeia dos Investigadores 2011
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Realização:

Data: 2011

Produção: TV Ciência

Duração: 12'50''

Sinopse:

Por mais um ano, Instituto de Investigação Científica Tropical acolhe Noite Europeia dos Investigadores para dar a conhecer investigação científica que se faz em Portugal com impacto nos países em desenvolvimento.

Contextualização:

As arcadas do Palácio da Calheta, no Jardim Tropical em Lisboa estão cheias de jovens e adultos. É a Noite Europeia dos Investigadores, uma iniciativa da Comissão Europeia e que o Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT) se associou desde 2005, ano do lançamento.

 

Cientistas de diversas áreas do conhecimento estão envolvidos nas atividades que permitem ilustrar não só as técnicas e as ferramentas com que trabalham, mas sobretudo responder a perguntas movidas pela curiosidade de muitos.

 

Aqui, a Arqueologia, onde podem ser executadas determinadas atividades, como nos explica uma das investigadoras presentes.

«Um dos ateliers consiste numa simulação de uma quadrícula de escavação, portanto, temos aqui simulada uma lareira de há 5 mil anos com pedras, com alguns objetos cerâmicos e o que vamos tentar fazer é mostrar um pouco do que é o registo arqueológico», explica Catarina Viegas, investigadora do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa.

 

A investigadora acrescenta que «vamos procurar chamar à atenção para o público mais jovem, para esses aspetos dos registos arqueológicos e eles vão participar nalgumas dessas atividades, seja da descoberta, propriamente dita, seja do desenho dessas estruturas arqueológicos que vamos encontrando à medida que a escavação decorre».

 

As cerâmicas são dos artefactos mais estudados pelos arqueólogos e aqui não poderiam faltar. «Nesse caso o que vamos fazer é mostrar algumas cerâmicas verdadeiras e mesmo provenientes de contexto de escavação arqueológica de vários locais, dos nossos investigadores, e depois vamos procurar com algumas réplicas de cerâmica, que os jovens participem nalgumas atividades que são também as atividades que fazemos, já em laboratório», explica a investigadora.

 

Catarina Viegas diz que «nesse caso, (os jovens) vão estar a montar algumas peças cerâmicas, tentar fazer aquele puzzle e reconstituir algumas das formas cerâmicas que são normalmente encontradas, à medida que procuramos que desenvolvam atividades de desenho, também de medição das peças e que registem também esses mesmos achados».

 

Tal como as cerâmicas, os ossos de humanos ou de outros animais são relíquias para a arqueologia. «Portanto, trazemos aqui alguns ossos que são da coleção de referência e que servem para comparar com outros ossos, esses sim de contextos arqueológicos», explica a arqueóloga.

 

«Obviamente, que no caso da descoberta de restos de ossos, de fauna, a preocupação é já de reconhecer alguns aspetos da alimentação dessas sociedades antigas. Portanto, é por isso que também os trazemos. E aliás entusiasma sempre muito as camadas mais jovens, verem estes ossos e, portanto, é uma forma também de através do osso do animal, explicar um pouco o que é essa atividade da arqueozoologia e dos estudos das faunas».

 

Ver aquilo que a olho desarmado não se vê. O microscópio é instrumento fundamental para a ciência. Aqui a ser utilizado para identificar madeiras.

 

«Isto é uma maneira lúdica de eles verem que as madeiras são diferentes, de olhar para o interior da madeira através do microscópio. É um jogo simples, que requer atenção» e «eles aproveitam e trabalham com microscópio, que é uma coisa que também gostam», afirma Teresa Quilhó, investigadora do Centro das Florestas e Produtos Florestais do IICT, que explica que «nesta faixa etária já começam nas escolas a mexer no microscópio e, portanto, vêm as lâminas que têm a estrutura da madeira e cá fora têm a respetiva madeira e a fotografia equivalente ao que eles vêm no microscópio. E portanto, com uma análise e concentração, eles vão ter de memorizar o que vêm no microscópio e escolher depois a imagem cá fora».

 

E como se tratasse de uma aula em laboratório, há mais informação. «Curiosidades, o nome da madeira, para que é ela serve, onde ela existe. Depois vêm que há madeiras mais leves, outras mais pesadas, de acordo com a sua densidade, assim têm um uso diferente», refere a investigadora.

 

Uma noite para todos se divertirem com as descobertas. Teresa Quilhó apresenta então a outra actividade preparada para os jovens que se chama ‘Da madeira ao papel’. «Aqui eles vêm a madeira, vêm inclusivamente uma das madeiras que é o eucalipto que depois vão ver, a madeira dissociada, portanto, as células todas individualizadas, vão fazer eles a preparação com uma pipetazinha e o corante, montam a lâmina e vêm ao microscópio e vêm as células a partir das quais se faz o papel».

 

Nesta noite dos investigadores, o café é rei, não pelo aroma quando na chávena, mas pela investigação que no IICT se tem feito. E este que aqui vemos é especial.

 

«Este Híbrido de Timor é descoberto em Timor no final dos anos 50, foi estudado em Timor e no IICT em Portugal. Verificou-se que muitas dessas plantas eram resistentes a todas as raças ou estirpes da ferrugem, a principal doença do cafeeiro, e essas sementes e plantas foram enviadas para países produtores de café dos continentes africano, asiático, americano onde foram usados com variadas de cafeeiros suscetíveis, dando origem a variedades comerciais que estão espalhadas em todo o mundo. O Híbrido Timor foi a semente, se quiser, de 90% das variedades de cafeeiro que se cultivam em todo o mundo», explica Maria do Céu Silva, investigadora do Centro de Investigação de Ferrugens do Cafeeiro, do IICT.

 

Em Portugal não se produz café, mas o país é tradicionalmente um consumidor. O café faz parte da cultura dos portugueses e nos mais jovens desperta o interesse de saber como é cultivado.

 

«Para as crianças o que nós fizemos foi mostrar como é que são as plantas do café, dar a conhecer os país do Híbrido de Timor e o próprio Híbrido de Timor e depois mostrar-lhes todo o ciclo da planta: desde o café, diferentes fases de desenvolvimento da planta, mostramos depois a doença e folhas não doentes de plantas resistentes. E permitimos às crianças, para além disso, tirar ou transplantar pequenas plantinhas que levam para casa em pequeninos vasos. Essa foi para eles a parte mais apelativa: mexer na terra, tirar a plantinha e levar para casa», afirma a investigadora.

 

O café desempenha um papel diversificado nas sociedades, fonte de riqueza para uns, sendo que para outros propicia momentos de bem-estar e de convívio. Aqui, neste Café da Ciência, o tema é “Sinergias tropicais” ou seja, como a ciência pode ser motor de desenvolvimento.

 

«Naturalmente, o Instituto quer que a ciência seja conhecida e seja conhecida não só enquanto ciência, mas também enquanto ciência para o desenvolvimento. Para melhorar a situação dos povos mais desfavorecidos. Então, para nós uma iniciativa europeia, que são países ricos, relativamente à ciência, a NEI, pareceu-nos imediatamente a maneira de levar isto até à lusofonia que são países mais pobres», afirma Jorge Braga de Macedo, Presidente do IICT.

 

Investigadores e a noite. O local: o Jardim Tropical em Lisboa. Três elementos que combinam para um momento bem passado. «Esta combinação do sítio, da atividade e da beleza natural e arquitetónica do Jardim, torna-o o local ideal para termos aqui a Noite Europeia dos Investigadores e espero continuar a fazer isso. É claro que a situação como nós sabemos é uma situação difícil do ponto de vista orçamental, as receitas do Jardim não chegam, portanto, há aqui também um esforço a fazer. Mas nesta Noite não pesamos em nada que não seja bom», refere Braga de Macedo.

 

O número elevado de jovens e adultos que nesta Noite se vê no Jardim Tropical em Lisboa, é prova que o empenho do IICT faz sentido. «É muito importante, porque se não houver consciência daquilo que está a ser feito, dificilmente se consegue atrair o interesse e recursos necessários para construir respostas mais robustas, mais consistentes e mais coerentes ao longo do tempo», afirma Luís Brites, Secretário de Estado da Cooperação e acrescenta que «é decisivo, é um esforço meritório, que no meu entender devia continuar porque é assim que se atrai novos talentos, jovens que se possam interessar por estas matérias».

 

Um trabalho de divulgação de ciência que é feito por os fazedores da própria ciência: Os cientistas. «A primeira questão aqui é de facto que a divulgação é importante porque decorre da produção. E o primeiro passo seria de facto a produção que conjugada com a investigação cria aquilo que muitas vezes é necessário, que é a base crítica para que as instituições consigam atrair cientistas que possam de facto divulgar. A melhor divulgação é produzir e produzir em rede. Ora é muito mais fácil essa divulgação correr se de facto tivermos os cientistas a falarem uns com os outros, a trabalharem uns com os outros. A língua é um fator que ajuda essa interação, mas não é obviamente o único fator. Ter boa ciência, bons investigadores em língua portuguesa é uma prioridade. A Cooperação portuguesa pode e deve ocorrer nessa vertente», afirma o Secretário de Estado.

 

Sem conhecimento não há desenvolvimento, e esta parece ser a linha mestra que deve balizar a cooperação com outros países, sobretudo com a CPLP.

 

«Primeiro tem uma compreensão do problema, que penso poucas instituições talvez tenham essa mesma sensibilidade nesta área da C&T, até porque tem essa vocação. O segundo aspeto é que tem procurado ao longo dos anos estruturar uma capacidade de reposta que vá ao encontro. Por isso, não tem só a consciencialização como também tem uma preocupação em execução. Ambas as coisas são importantes para que de facto haja uma cooperação científica e tecnológica de qualidade em tempo útil», refere Luís Brites.

 

Saltando agora para outro ateliê, a boca ou melhor os dentes são o objeto de atenção. Aqui quase se pode aplicar o ditado: “Pela boca morre o peixe” então o melhor é saber cuidar dela.

 

A Noite dos Investigadores está a animar os jovens mas também os cientistas. «Acho que tem a maior importância, na medida que permite, por um lado, sairmos do nosso Laboratório e dos nossos Centros de Investigação e contactarmos com um público mais alargado», afirma Catarina Viegas.

 

A arqueóloga acrescenta ainda que «o público também aproveita certamente com isso, porque de uma forma descontraída acaba por ter acesso a algumas das atividades que fazemos, perceber também como um arqueólogo acaba por trabalhar, seja no campo, seja no laboratório e reconhecer algumas dessas atividades e dos conhecimentos que podemos obter através do estudo que fazemos em arqueologia».

 

Teresa Quilhó, investigadora do Centro das Florestas e Produtos Florestais refere que a colaboração na Noite dos Investigadores já é longa «porque achamos sempre interessante a forma lúdica, a maneira a brincar», com que se fazem as atividades «porque é para estas faixas etárias e eles serem iniciados também na ciência e no descobrir, a descoberta» é muito importante.

 

Já Maria do Céu Silva, investigadora que se dedica ao estudo das doenças do cafeeiro explica que, esta noite é a oportunidade «para mim enquanto investigadora há 25 anos nesta casa, desmistificar a ciência. Antes de eu ser investigadora pensava que os cientistas eram pessoas com um ar meio chanfrado, só trabalhavam enfiados num laboratório. Para muitas pessoas o cientista é ainda às vezes olhado de uma forma estranha. Isto é uma forma de nós descermos ao comum da população e, sobretudo, às crianças e mostrarmos que as coisas não são assim tão difíceis e têm o seu lado apelativo e interessante. Eu acho que é muito bom para nós enquanto investigadores».

 

No Jardim Tropical em Lisboa a Noite foi de debate, de descobertas e de muito convívio. Mas a Noite Europeia dos Investigadores, também decorreu em mais 320 cidades da União Europeia.

 

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