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17 de Novembro de 2018
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Vacina da malária apresenta eficácia clínica em crianças
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Realização: Manuel António Silva

Data: 17 de Novembro de 2009

Produção: TV Ciência on-line

Suporte original: DV CAM

Duração: 18' 46''

Sinopse:

Primeira vacina da malária a mostrar resultados efectivos entra em fase III de estudos clínicos em África. Uma vacina que até agora demonstrou 53% de eficácia e poderá estar disponível em 2020.

Contextualização:

Em África, milhares de crianças são todos os anos infectadas com a malária. A malária continua uma doença endémica, sendo responsável por mais de 800 mil mortes de pessoas em África, principalmente de crianças com menos de 5 anos.

 

Pela primeira vez testes com uma vacina tem vindo a dar resultados positivos. Esperando-se que a vacina esteja disponível antes de 2020.

Esta vacina da malária, a RTS,S, produzida pela GlaxoSmithKlein Biologicals em parceria com Programa da Iniciativa para a Vacina da Malária, da organização PATH, entrou agora na fase III de estudos clínicos.

 

«Desde há 40 anos que se tem tentado desenvolver uma vacina e aqui estamos nós. Começámos a terceira fase, a fase III, o que significa o último passo antes da utilização. Nunca estivemos tão perto da vacina da malária. É isso que significa: nunca estivemos tão perto!», afirma Christian Louqc, Director da Iniciativa Vacina para a Malária, PATH e adianta em relação aos testes clínicos que «dezasseis mil bebés, ou seja, seis mil crianças e o grupo dos cinco aos dezassete meses, que vão estar envolvidas nos estudos em onze locais de sete países. E esperamos que isto leve à primeira vacina da malária».

 

Depois da fase II do estudo que envolveu duas mil crianças entre um e os quatro anos de idade, o estudo clínico de fase III envolve Moçambique, Tanzânia, Burquina Faso, Gabão, Gana, Quénia e Malawi.

 

«No final do ano passado publicamos os últimos dados disponíveis da fase II do estudo, conduzido na Tanzânia e no Quénia, e demonstraram uma eficácia clínica de 53% contra a doença. É um grande avanço», afirma Christian Louqc.

 

Um avanço ao fim de um período de nove anos e de quinze estudos independentes. «O que fizemos durante esse tempo? Nós estabelecemos que a vacina é segura e pode ser administrada com segurança a crianças e bebés, tivemos de definir uma dose e um programa de dosagem para a vacina ser administrada», explica Ripley Balou, Vice-director para Vacinas, Doenças Infecciosas e Desenvolvimento da Fundação Bill & Melinda Gates e adianta que «tivemos de mostrar que a vacina funciona nos grupos etários certos, tivemos de mostrar que a vacina podia ser administrada juntamente com outras vacinas infantis, para que no final do dia pudesse na verdade ser entregue no sistema EPA que é o mecanismo através do qual quase todas as crianças em África recebem as vacinas. Portanto, temos construído peças de informação muito importantes que nos dizem que agora é a altura de começar a fase III».

 

Christian Louqc acrescenta ainda que «fizemos uma série de estudos de fase II que dão a evidência de que a vacina pode ser administrada ao mesmo tempo que as vacinas que as crianças recebem às seis, dez e catorze semanas. É muito importante porque não queremos adicionar quaisquer outras intervenções e tornar isto o mais simples possível para o Sistema de Saúde Pública que está hoje disponível, para incluir a vacina no seu Sistema. É isto que é tão importante no desenvolvimento e é também isto que vai ser estudado na fase III em uma das duas populações de crianças».

 

Agora, na fase III do estudo as expectativas dos cientistas são ainda maiores, como explica Joe Cohen, Vice-Presidente de Investigação e Desenvolvimento (I&D) para as Doenças Emergentes e HIV da GlaxoSmithKlein Biologicals, «será um resultado extraordinário se a fase III mostrar o que esperamos que mostre. Que é a eficácia clínica contra a doença, eficácia contra a malária severa e, esperamos nós, eficácia contra a mortalidade devido à malária ou a mortalidade. Com um nível de eficácia de 50% ou 55% como verificámos na fase II. Esta simples medida significa salvar centenas de milhares de vidas».

 

A vacina foi especialmente concebida para crianças entre os cinco e os dezassete meses, dado serem estas as mais afectadas pela malária em África.

 

«A incidência da malária é conhecida sobretudo em crianças que estão desprotegidas porque quando se nasce o sistema imunitário é indefeso, não ‘vê’ a malária, portanto não tem muitos mecanismos protectores contra a malária», refere Patricia Njuguna, Investigadora Principal do Kenya Media Research Institute envolvida no estudo e adianta que, «o que a vacina faz é fornecer uma forma de olhar para uma coisa que se parece com a malária, permitindo desenvolver anticorpos contra ela e quando na verdade se apanha malária é capaz de a parar no caminho».

 

Joe Cohen adianta ainda que «a vacina funciona atacando o parasita muito cedo no seu ciclo de vida dentro do hospedeiro, do humano, antes que alcance o estado de patogénese e os glóbulos vermelhos».

 

No desenvolvimento da vacina bem como na execução das fases de testes, encontram-se também diversas equipas de cientistas africanos. «No decorrer do desenvolvimento desta vacina, a trabalhar em conjunto com os nossos parceiros da Iniciativa PATH, fizemos parceria com um número de instituições científicas em África, um número de cientistas soberbos em África, em muitos locais em África e preparar esta fase III significou um grande esforço na construção de capacidades nos locais onde o estudo está agora a acontecer», refere o Vice-Presidente de I&D para as Doenças Emergentes e HIV da GlaxoSmithKlein Biologicals.

 

«As pessoas estão muito orgulhosas por haver africanos a caminhar para obter uma solução para problemas que afectam muitos africanos», confessa Walter Otieno, Investigador Sénior do KEMRI/WRAIR Kisumu, do Quénia.

 

Simon Kariuki, Co-Investigador Principal do KEMRI/Estação de Investigação do CDC, no Quénia é outro cientista africano que partilha a mesma opinião. «É fantástico que nos tenham dado a oportunidade de planear estes estudos de forma a acompanhá-los. Pensamos que o problema nos pertence e devia-nos ser dada a oportunidade de ter algo a dizer sobre como é gerido. Portanto, sentimo-nos muito orgulhosos e estamos agradecidos aos responsáveis por nos permitirem controlar o estudo. Porque penso que no final de contas nós vamos disponibilizar a vacina, continuaremos a ser aqueles que a administram, que a incorporam no Sistema de Saúde e nós compreendemos muito melhor o Sistema do que as pessoas que vêm de fora».

 

Mas os cientistas consideram que a vacina é apenas uma das armas para combater a malária. Devendo continuar-se a utilizar todos os actuais meios e métodos.

 

«Se esta vacina funcionar e for combinada com mosquiteiros, se for combinada com os métodos convencionais para a malária que nós temos e depois se, para os poucos que apanharem a malária tivermos um tratamento efectivo, poder-se-á fazer aqui uma verdadeira diferença. E é por isso que estamos todos entusiasmados a trabalhar neste estudo para a vacina da malária», afirma Mary Hamel, Responsável do Malária Branch KEMRI/Estação de Investigação do CDC.

 

Ripley Balou adianta ainda que, «o controlo da malária exige todas as ferramentas disponíveis que tivermos à mão. Com os actuais mosquiteiros e sprays e acesso a bom diagnóstico e tratamento, pensamos que a vacina da malária será um aditivo aos dias de hoje. E é absolutamente necessário reduzir a actual incidência inaceitável da malária que existe hoje em dia. Ao reduzir o nível de incidência para um nível mais modesto, isto define um estágio parecido como o do desenvolvimento, para começar a eliminar sistematicamente a malária de regiões do mundo como um ‘Fim de Jogo’ da erradicação». A produção da vacina, tem o apoio financeiro da Fundação Bill & Melinda Gates e envolve a farmacêutica GlaxoSmithKlein e o Programa da Iniciativa para a Vacina da Malária, da organização PATH.

 

A vacina deve ser submetida para aprovação das entidades reguladoras do medicamento em 2010 ou 2011 e começar a ser ministrada antes de 2020.

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