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27 de Maio de 2017
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Língua portuguesa como língua de ciência e inovação é objetivo da CPLP
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Realização: IICT

Data: 2013

Produção: Tv Ciência

Sinopse:

2ª Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial vai realizar-se em Lisboa nos dias 29 e 30 de outubro de 2013, com especial enfoque na utilização da língua portuguesa como língua de ciência e inovação.

Contextualização:

No programa da Conferência, agora apresentado, constam dezenas de comunicações de proeminentes académicos e estudiosos da língua portuguesa que irão refletir porque a língua portuguesa perdeu espaço como língua de ciência.

 

Ivo Castro, Professor da Faculdade de Letras, da Universidade de Lisboa e Membro da Comissão Científica da Conferência explicou à TV Ciência que «desde o século XVI que a língua portuguesa é uma língua de conhecimento e de ciência. Quando as várias línguas principais de cultura da Europa substituíram o latim como a língua da ciência, o português foi uma delas e tem sido sempre desde então».

 

O Professor acrescentou que existe «produção científica em língua portuguesa quer nas ciências exatas quer no pensamento em língua portuguesa», mas «agora, no tempo em que estamos, a força de outras línguas é tão grande que muitas vezes nos esquecemos do passado e do património que possuímos».

 

«O sentido comum é que hoje em dia o inglês é a língua dominante e que não vale a pena fazer ciência noutra língua que não seja o inglês e nós somos interpelados a esse respeito muitas vezes», afirmou o especialista.

 

Ao colocar a língua portuguesa enquanto língua de ciência na agenda académica mas também política dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Ivo Castro referiu que o objetivo não é competir com outras línguas.

 

«O objetivo é o de não entregar os pontos, o de defender um território, um património e uma herança», afirmou o especialista e acrescentou que esta «é a obrigação de quem se dedica ao português, não é o desistir do que é português, não é desistir por Portugal, mas é o de se bater pela manutenção dos nossos recursos».

 

Recursos que são essenciais para a produção de ciência em língua portuguesa, já que «pensar ciência em português não é o mesmo que pensar ciência portuguesa noutra língua», explicou e referiu que «se estivermos na pele da nossa língua temos recursos criativos e de definição que não temos se estivermos em tradução».
 

E o professor exemplificou que para muitas pessoas «é uma experiência deprimente estar numa sala em que se está a discutir um tema científico, onde, por exemplo, estão apenas portugueses e brasileiros a falar de questões científicas uns com os outros em inglês» e «por vezes, mau inglês», por isso, disse, «um debate entre portugueses e brasileiros em inglês é normalmente uma experiência a não repetir».

 

Mas a verdade, é que em Portugal, a comunidade científica e académica comunica quase exclusivamente em inglês.

 

«Os próprios autores das teses pensam, no momento em que as escrevem, que se as escreverem em inglês vão gozar de uma audição internacional mais fácil. São os próprios que fazem essa opção de escrever em inglês. O que em certos domínios faz sentido, noutros pode fazer menos», referiu.

 

Ivo Castro disse, no entanto, que «mesmo quando faz sentido, ir ao encontro de um público mais vasto escrevendo em inglês, não podemos esquecer aquele pensamento um pouco melancólico e amargo, de que cada gesto desses é uma facada na língua portuguesa».

 

Para Ana Paula Laborinho, Presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua Portuguesa há espaço na ciência para comunicar nas várias línguas, não desprezando o português.

 

«Não há conflito nesse sentido, achamos que as duas coisas são conciliáveis», afirmou a responsável e acrescentou que dependendo «dos nichos de ciência compreende-se perfeitamente que também possa haver esse objetivo que é o de chegar a públicos mais vastos e não há uma incompatibilidade e é importante também para os nossos investigadores e para as nossas universidades essa oferta». No entanto, ressalvou, relativamente à utilização do português como língua de conhecimento, que «a par dessa oferta há outra oferta que temos de consolidar de uma forma que possa ser mais internacional».

 

Para alcançar este objetivo existem recomendações práticas que poderão vir a fazer parte do novo Plano de Ação para o futuro da língua portuguesa que será definido em Lisboa.

 

Ivo Castro referiu por exemplo, a «criação de terminologias de bases terminológicas comuns aos vários países de língua portuguesa, nos domínios técnico, cientifico, etc. Para que o mesmo conceito, o mesmo objeto ou o mesmo processo não tenha designações diferentes em Portugal, no Brasil e nos outros países».

 

Para o especialista este é «um objetivo prático que se pode aplicar gradualmente domínio a domínio e que dá resultados garantidos».

 

Por outro lado, acrescentou o Professor, «um outro aspeto concreto é o de as políticas científicas dos vários países respeitarem a língua portuguesa. Em Portugal, um projeto científico só pode ganhar apoios governamentais, das agências de financiamento, se for elaborado em língua inglesa, se for defendido em língua inglesa, se for depois objeto de relatórios em língua inglesa. Isso sobretudo terá mais vantagens se o seu desenvolvimento decorrer em língua inglesa e nem sempre isso é compatível com os interesses científicos do projeto».

 

Uma situação para a qual o professor recomendou uma solução. «Na avaliação das candidaturas e da execução dos projetos não ser penalizado um projeto que é apresentado em língua portuguesa».

A 29 e 30 de Outubro estes são temas de debate e reflexão em Lisboa, sobre o futuro da língua portuguesa no sistema mundial. 

 

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