Bem-vindo à página oficial do IICT

Nota à navegação com tecnologias de apoio

Nesta página encontra 2 elementos auxiliares de navegação: motor de busca (tecla de atalho 1) | Saltar para o conteúdo (tecla de atalho 2)
24 de Março de 2017
Pesquisa Search
Vídeos
Professor Braga de Macedo coordena grupo que estuda internacionalização da economia
Para fazer download do Flash Player, clique aqui.

Realização:

Data: 2011

Produção: TV Ciencia

Duração: 9'56''

Sinopse:

Grupo de trabalho, liderado por Braga de Macedo, propõe vários cenários que apontam para integração de diversos organismos ligados à internacionalização da economia, reforçando a designada diplomacia económica.

Contextualização:

Grupo de Trabalho para a elaboração da política de Internacionalização e Desenvolvimento da economia portuguesa, liderado por Jorge Braga de Macedo entrega ao Primeiro-Ministro, Passos Coelho, relatório que tem como objetivo orientar a definição das linhas gerais do papel das instituições portuguesas envolvidas na internacionalização da economia nacional e contribuir para a diplomacia económica.

 

O relatório, para além das conclusões consensuais, propõe três cenários diferentes relativos a aspetos da arquitetura institucional, os quais vão ser agora analisados pelo Governo que fica encarregue de escolher uma solução a curto prazo.

 

O cenário A mantém no Ministério da Economia o Instituto de Apoio às PMEs e à Inovação (IAPMEI), a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e o Turismo de Portugal. Neste cenário a AICEP fica com a responsabilidade ao nível da Rede Externa, do Grande Investimento Privado ou GIP, assim como, da execução de outras funções, incluindo a gestão de fundos.

 

O cenário B aponta para a criação de um Conselho de Administração Comum para o IAPMEI e a AICEP, sobre a tutela do Ministério da Economia, onde se manteria também o Turismo de Portugal.

 

Já no cenário C a tutela da AICEP passaria para o MNE enquanto o IAPMEI e o Turismo de Portugal ficariam no Ministério da Economia. Neste cenário, os fundos das várias instituições dos dois Ministérios passariam a ser geridos pelo Ministério das Finanças. Este cenário aponta também para que toda a internacionalização das empresas fiquem sobre a alçada do MNE, incluindo a Promoção de Portugal, das suas marcas, empresas e pessoas.

 

O grupo de trabalho avança ainda com uma proposta para a introdução de uma instituição dedicada à atração do grande investimento privado que ficaria na dependência do Primeiro-ministro.

 

Luís Campos e Cunha, um dos membros do grupo de trabalho explica que «acoplado a estes três cenários base, repito, cuja a grande diferença é entre o B e o C, nós podemos ter ou não automatizado, aquilo a que chamamos GIP – Gabinete para o Investimento Privado». O economista e ex-ministro acrescenta que «estamos a falar de uma versão parecida com aquilo que houve com a AIP (Agência para o Investimento Privado) para grande investimento privado, não é necessariamente investimento estrangeiro, pode ser investimento de grande dimensão e os seus impactos podem ser tratado autonomamente. E portanto podemos ter ou não no cenário A1, B1 e C1, o GIP como uma instituição autónoma, dependente do Primeiro-ministro, o que perfaz o cenário A1, B1 e C1».

 

Vantagens e desvantagens dos Cenários

 

No Cenário A as vantagens prendem-se com a não descontinuidade no funcionamento das instituições, mas de acordo com os especialistas continuaria a levantar problemas como a difícil coordenação entre a AICEP e o IAPMEI, e em relação ao facto dos fundos dos dois organismos ficarem em órbitas diferentes, o que poderá dificultar a coordenação e encargos.

 

No Cenário B, em que a AICEP e o IAPMEI partilham uma administração comum, as vantagens indicam que seria fácil a coordenação a curto prazo entre os dois organismos, assim como dos fundos correspondentes e a cooperação entre o sector privado. Neste cenário o objetivo passaria por um maior apoio às PMEs em termos de internacionalização, oportunidades de negócio e investimento direto estrangeiro.

 

No Cenário C, onde o Ministério dos Negócios Estrangeiros garante a governância da AICEP, a grande vantagem passa por toda a internacionalização das empresas ficar sobre a tutela do mesmo Ministério, no entanto, surgem como algumas das desvantagens o corte entre os mercados internos e externos, uma realidade cada vez mais distante no mundo empresarial, e impactos negativos nas funções próprias do turismo.

 

Reforçar papel do IPAD na coordenação da cooperação

 

Mas o relatório indica também alguns pontos importantes de consenso entre os membros do grupo de trabalho como manter no Ministério dos Negócios Estrangeiros o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD) mas aumentado.

 

«Que o aumento do IPAD corresponda à efetiva coordenação por este Instituto de toda a cooperação do Estado e que a aproximação com Instituto Camões é assim desejável, como uma maior proximidade com o IICT, pode implicar a transferência deste Instituto para a tutela do MNE», explica Francisco Mantero, membro do grupo de trabalho.

 

Instituições de carácter científico e cultural, que vêm também elas o papel destacado na diplomacia económica portuguesa, como explica Jorge Braga de Macedo, Coordenador do Grupo de Trabalho. «A Ciência para o Desenvolvimento é básica para os mercados emergentes, em particular para os mercados da CPLP, basta lembrar, o nome dos BRICS que agora o S quer dizer África do Sul. São os mercados que crescem».

 

Braga de Macedo acrescenta que «o atual Primeiro-ministro, desde até quando era líder da oposição sempre insistiu muito no papel dos mercados dinâmicos: o Brasil, certamente, membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), mas também a China, a Índia onde existem laços tradicionais com o nosso país. Isso e África do Sul, membro da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), tem uma grande importância para dois países da CPLP, Angola e Moçambique».

 

O Coordenador do grupo de trabalho diz ainda que «uma coisa que é evidente, e que vem na Declaração de Bissau sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), assinada em 2006, é que para esses mercados o conhecimento é essencial, o conhecimento mútuo. Exportar para Badajoz ou para Elvas, se calhar exige certo conhecimento mas estamos ali no nosso meio. Agora exportar, investir, comunicar com países emergentes como Brasil, Angola, China é preciso muito conhecimento. A Ciência tem que ter um papel ai e por isso mesmo se falou na importância do conhecimento mútuo e da Ciência para o desenvolvimento».

 

Mas também a língua aparece como um ativo essencial na economia externa portuguesa, como explica António Monteiro, Embaixador e membro do grupo de trabalho. «Muitas vezes não se tem que a língua é um valor e é também um valor económico. E por isso nós temos de facto de apostar nisso e nestes mercados de afinidade e também perceber que a língua portuguesa, a sua utilização, vai muito além dos países que a utilizam oficialmente. Há comunidades que usam o português, tanto portuguesas como de países que estão espalhadas pelo mundo e temos de dinamizar e aproveitar esse facto».

 

Os países da CPLP são assim países essenciais para a economia externa portuguesa, mas também as regiões onde estão inseridos. «As exportações portuguesas podem beneficiar muito de uma utilização dos países da lusofonia que estão integrados em regiões económicas próprias», afirma Francisco Mantero.

 

«Para se ter uma ideia em termos de população, e portanto em termos de mercados, o número total que se estima de cidadãos lusófonos no mundo é de 240 milhões. Se consideramos a integração regional esse número aumenta para 1.8 biliões de pessoas. Quando falo em integração regional é de cada país da CPLP. Portanto, vejam o que se pode beneficiar através da utilização de plataformas lusófonas para aumentar as exportações utilizando as integrações regionais de cada pais da CPLP», explica o membro do grupo de trabalho.

 

Ainda ao nível dos consensos, o relatório aponta para a unificação da rede externa portuguesa, por forma a fazer um total aproveitamento das missões diplomáticas espalhadas pelo mundo.

Também os embaixadores devem passar a assumir a coordenação de toda a ação externa do país e as embaixadas a congregar as redes diplomáticas, AICEP e Turismo de Portugal. Mas os especialistas propõem também a criação da figura de embaixador itinerante.

 

«Depois nós também previmos, face às restrições financeiras que são atualmente conhecidas, a criação de aquilo a que chamamos a figura de Embaixador Itinerante», afirma António Monteiro

O Embaixador explica que «aquilo que gostaria de chamar a atenção sobre a possibilidade de se recorrer a personalidades de competência diplomática e com competência económica que possam contribuir poupando recursos ao Estado a partir, uma vez que seriam baseados em Lisboa e cobririam áreas externas onde a nossa rede diplomática é mais frágil ou não cobre totalmente. Também poderíamos aproveitar estes Embaixadores itinerantes para estabelecer uma ponte entre aquilo que é as decisões internas aqui e a nossa própria rede externa, dinamizando assim os responsáveis pela condução da diplomacia económica no exterior».

 

O relatório vai servir de base de trabalho para o Governo reformular o processo de diplomacia económica portuguesa, por forma a aumentar as exportações e a criar oportunidades de negócio às empresas portuguesas fora e dentro de Portugal.

 

© 2007 IICT - Instituto de Investigação Científica Tropical
Rua da Junqueira, n.º 86 - 1º, 1300-344 Lisboa | Tel: 21 361 63 40 | Fax: 21 363 14 60 | email: iict@iict.pt