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16 de Dezembro de 2018
 
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Quem Somos / Palácio da Ega

 

 

Vista geral do palácio. Fotografia de Carlos PomboO palácio do Pátio do Saldanha, vulgarmente conhecido por palácio da Ega, onde se encontra instalado o Arquivo Histórico Ultramarino (AHU), constitui um edifício de reconhecido valor artístico e histórico. O seu núcleo primitivo deve remontar ao século XVI, pois sabe-se que em 1582 já existia a Casa Nobre, podendo ler-se essa data numa curiosa fonte de "embrechados" à entrada do palácio. O edifício encontra-se dividido em três corpos principais: o da entrada cuja fachada dava para um pátio, actualmente um jardim, onde vivem entre outros, alguns exemplares botânicos extra-europeus; o do lado sul, de dois pisos, com uma grande frente sobre o Tejo, dando igualmente para um amplo jardim servido por um grande lago ovalóide; e o do Salão Pompeia, a nascente, continuação do corpo anterior que liga também com um jardim superior.

 

Fachada Sul. Fotografia de João Coimbra

 A fachada apresenta três grandes portões, ostentando o portão central o brasão dos Coutinho, Albuquerque e Saldanha. De cada lado do corpo central existem duas grandes varandas. Do átrio sobe-se ao piso superior por dois amplos lanços de escadaria que apresentam lambrins de azulejos, alguns do século XVII. No andar superior, existe ainda uma grande sala totalmente decorada com painéis de azulejos portugueses de meados do século XVIII, com motivos campestres e de caça. No início do século XVIII acrescentou-se o palácio com um enorme salão, designado como Salão Pompeia e é sobretudo neste magnífico salão que reside o interesse artístico do edifício. Nele podem admirar-se oito painéis de azulejos holandeses, a azul e branco, do início do século XVIII, representando vistas de cidades portuárias da Europa, como sejam, Constantinopla, Colónia, Londres, Veneza, Hamburgo, Midelburgo, Roterdão e Antuérpia. Em 1950, este salão foi classificado como Imóvel de Interesse Público.

 

Interior do Salão Pompeia. Fotografia de Carlos PomboDurante as Invasões Francesas conheceu este palácio um grande esplendor. O 2º conde da Ega, Aires José Maria de Saldanha, regressado de Espanha, onde ocupara o cargo de Embaixador de Portugal, mandara fazer grandes obras de embelezamento e o palácio era cenário de grandes festas. O general Junot, amigo da família Saldanha, era frequentador assíduo do palácio, de tal forma que após a expulsão das tropas francesas, os condes da Ega são exilados, vendo-se obrigados a deixar o país.

 

Depois de abandonado, o palácio vai servir como hospital das tropas anglo-lusas e, posteriormente, de quartel-general do marechal Beresford, a quem acaba por ser doado em 1820 por D. João VI.

 

Em 1823, a família Saldanha é reabilitada e requer a posse da sua casa senhorial. Depois de longa demanda em tribunal, é-lhe finalmente entregue o palácio, em 1838, mas a situação financeira da família já não lhe permitia a sua manutenção. É vendido e passa por vários proprietários até ser adquirido em 1919 pelo Estado, sendo então levadas a efeito obras de grande vulto para nele se poder instalar o Arquivo Histórico Colonial, criado em 1931. Recebeu, após esta data, obras diversas desenvolvidas no sentido da prestação de serviços arquivísticos, o que não invalida que se mantenham, ainda hoje, fortes reminiscências palatinas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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