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26 de Maio de 2017
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Texto histórico

 

O Palácio da Junqueira era dos palácios mais bonitos que eu tenho visto […] Logo à entrada por um portão, havia de cada lado um guerreiro romano em madeira escura, muito maior que o que o tamanho normal de um homem grande. O chão era todo de mármore branco e cor de rosa. Ao fundo de uma escadaria enorme, dois lances se juntavam numa porta grande lá em cima.


Assim se apresentava, imponente e grandioso, o átrio do Palácio da Junqueira ao olhar infantil de Neninha, Maria Amélia Burnay de Macedo, uma das netas de Henri Burnay que, na velhice, resolveu escrever as recordações da sua infância feliz.


Antes de se tornar a residência oficial dos condes de Burnay, o palácio da Junqueira teve diversos proprietários aos quais esteve ligada a evolução morfológica do edifício.


Antes de mais, é preciso dizer que este deve o seu nome a sua localização no nº86 da Rua da Junqueira, mas é também conhecido como palácio Burnay ou palácio dos Patriarcas, recordando, na sua denominação, os seus mais ilustres proprietários. Os diversos nomes, assumidos ao longo dos séculos, revelam-nos a história do edifício, que acolheu nobres, prelados, príncipes e financeiros, até se tornar, hoje, a sede do Instituto Superior de Ciências Sociais e do Instituto de Investigação Científica Tropical.


O núcleo primitivo do Palácio da Junqueira era constituído por um grupo de casas construídas sobre terrenos, concedidos em enfiteuse, em 1701, por ordem de D. José César de Meneses, prior da Sé de Lisboa, que, anos mais tarde, o mandou rodear de esplêndidos jardins. Após o terramoto de 1755, foi vendido a D. Francisco de Saldanha, patriarca de Lisboa, que decidiu dar-lhe um aspecto homogéneo, transformando-o em residência de Verão; a partir desse momento, assumiu a denominação de Palácio dos Patriarcas.

 

Quase um século depois, o financeiro brasileiro, Manuel António da Fonseca, o “Montecristo”, adquiriu o imóvel efectuando algumas reformas, quer no interior, quer no exterior, alterando-o na feição, pois foi por sua vontade que foram construídos os quatro torreões angulares que o tornaram no protótipo do palacete burguês oitocentista. Em 1865, o edifício foi adquirido por D. Sebastião de Bourbon, infante de Espanha e neto do rei de Portugal, D. João VI, tendo-se tornado, posteriormente, residência do embaixador espanhol. D. Alejandro de Castro.


Em Agosto de 1879, o palácio foi leiloado pelos herdeiros de D. Sebastião e a sua venda foi anunciada, ao mesmo tempo, em Madrid e em Lisboa.


O proprietário e comerciante Henrique Burnay, assim era identificado no acto notarial, escolheu o palácio da Junqueira para que este apresentasse o seu prestígio social e económico, alcançado pelas suas inúmeras actividades financeiras. Por este motivo, logo após a aquisição do mesmo, o banqueiro empenhou-se em realizar algumas modificações com o objectivo de personalizar o edifício.


Muitos artistas estrangeiros e portugueses trabalharam no Palácio da Junqueira nestes anos: Rodrigues Pita fez os estuques da Sala de Baile; Ordoñes ocupou-se da decoração pictórica do teatro anexo ao palácio; Malhoa pintou, em 1886, o tecto da sala de jantar com planta elíptica que, ainda hoje, embora num estado de conservação precário, se pode admirar.


Também dois italianos, Carlo Grossi, pintor, e Paolo Sozzi, escultor, trabalharam na decoração dos interiores do palácio, a partir de 1895. Ambos residentes e activos em Milão, conheciam-se mutuamente e conheciam pessoalmente o conde, por o terem encontrado em anteriores estadias em Lisboa, aquando da sua contratação.


Contudo, as obras encomendadas pelo ilustre banqueiro não foram unicamente de natureza estética, mas sim, antes de mais, prática: basta lembrar que, no início do século XX, o palácio dispunha de uma instalação de chauffage central que garantia o aquecimento em todas as divisões.


Hoje, como antes, o Palácio da Junqueira insere-se harmoniosamente no espaço urbano, articulando-se volumetricamente com as outras construções circundantes. Não obstante as muitas alterações e intervenções que tornaram o edifício numa arquitectura compósita e, consequentemente, eclética, continua a manter uma total harmonia, devido à organização simétrica dos diversos elementos constitutivos (41-43:2003).

 

Vairo, Giulia Rossi, Origem e formação da Colecção Burnay, in Catálogo «Henri Burnay - de banqueiro a coleccionador, IPM - CMAG, 2003, Lisboa
 

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