Decorreu no dia 16 de Março, pelas 17h, na Galeria do JBT, a inauguração da exposição "Jorge Borges de Macedo Privado e Publicado", de Ana Macedo.
Assistiram à inauguração a viúva, o irmão, os filhos e três netos do homenageado, entre os quais a autora, Dom Duarte de Bragança, membros do Conselho de Orientação e Unidade de Acompanhamento e colaboradores do IICT, bem como numerosos amigos da artista proporcionando um animado convívio durante o lanche ajantarado que se seguiu.
Esta exposição, que contou com o apoio da Sociedade de Desenvolvimento da Madeira, encontra-se integrada no projecto "Saber Continuar", que o IICT conduz desde fins de 2004, em parceria com a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a quem o homenageado doou a sua biblioteca e já deu lugar a dezoito eventos.
A artista partiu da existência de uma colecção de mochos que o avô reuniu ao longo da vida para explorar representações simbólicas que cruza com a vida, obra e personalidade, privada e pública, do destacado historiador e pedagogo. Note-se que já usara essa imagem na capa de um livro co-organizado em 2009 pelo neto historiador, António Castro Henriques, "Nove Ensaios na tradição de Jorge Borges de Macedo".
Desta feita dão corpo à exposição seis painéis de grandes dimensões e um vídeo projectado que ganha forma prismática no canto da sala com imagens da colecção de mochos e de deambulações da própria artista, que escreve: “O conceito que desenvolvi para esta evocação de Jorge Borges de Macedo é um olhar intuitivo e inquisitivo sobre o paralelo entre o homem e o mocho, entre a figura pública, muitas vezes incompreendida e polémica do professor e historiador, e a pessoa, na sua viagem mais íntima pela vida e o contacto com a proximidade da sua própria morte.”
Os painéis contêm representações fotográficas de mochos, fotografias de família, notícias de imprensa, textos de cariz poético e o traço próprio de Ana Macedo, num arranjo gráfico influenciado pela banda desenhada japonesa.
O evento começou com um breve discurso do Presidente do IICT, filho do homenageado, que mostrou alguns dos livros que reflectem a série de eventos inseridos no projecto, como "Jorge Borges de Macedo: Saber Continuar", de 2005, e a reedição de "História Diplomática Portuguesa Constantes e Linhas de Força" em 2006, entre outros.
Seguiu-se um discurso do Prof. Hermenegildo Fernandes, subdirector da Faculdade de Letras, em representação do Prof. António Feijó, que enviou uma carta na qual revela o interesse da Faculdade de Letras pela divulgação da exposição no âmbito das comemorações do seu centenário, previstas para 2011. Pelas suas palavras, referindo a importância de iniciativas como esta para a Faculdade de Letras, mencionou que "o regresso à obra dos seus Mestres não é um exercício vago de evocação mas a matéria-prima mesma da construção do seu projecto intelectual na sociedade portuguesa."
O Dr. José Brissos, testamentário do homenageado, apresentou a exposição depois de enaltecer a "cultura de lembrança" e o papel decisivo que nela tem a universidade. Agradeceu à artista "pelo seu ousado exercício de decifração do mundo humano de Jorge Borges de Macedo, através da lente performativa - como hoje se diz - da obra de arte" acrescentando que a presença enigmática do mocho, escolhido como símbolo da Exposição, proscreve qualquer ideia convencional e constitui uma espécie de advertência de complexidade, muito eficaz e sintomática para a leitura de imagens indiciais que nos é oferecida." Afirma ainda estar certo que o homenagenado reagiria a esta leitura socorrendo-se "do lado caústico do seu humor, para nos convidar a olhar para o mundo em que viveu, de modo a enquadrar o homem no seu tempo."
Seguiu-se uma breve intervenção de João Macedo, que evocara em evento anterior as explicações de história e filosofia que recebera do avô, partilhando a alegria da irmã ter aceite o projecto e salientando a originalidade deste contributo.
Comovida, Ana Macedo agradeceu a todos os presentes e referiu o desafio que foi concretizar este evento dentro do espírito de "Saber Continuar".
A exposição estará patente na Galeria do Jardim Botânico até ao dia 5 de Julho, entre as 10h e as 17h, estando disponível para compra um caderno alusivo.
Poderão ainda ser vistos um vídeo e uma reportagem da inauguração.