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20 de Novembro de 2017
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Workshops - Conferências
Nota da conferência África Atlântica

 

 

Conferência África Atlântica

 

 

Realizou-se no passado dia 6 de Outubro, no Arquivo Histórico Ultramarino, a Conferência África Atlântica. Esta conferência concluiu e apresentou os resultados do projectoLogo FCT África Atlântica - da documentação ao conhecimento (sécs. XVII-XIX), financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (PTDC/HIS-HEC/111715/2009) e promovido pelo Instituto de Investigação Científica Tropical, através do Arquivo Histórico Ultramarino. O projecto cruzou as áreas de tratamento documental, conservação e restauro, história e computação, contou com a participação dos arquivos nacionais do Brasil, Cabo Verde, Guiné, Angola e S. Tomé e Príncipe e a consultadoria do Conselho Internacional de Arquivos, do Projecto Resgate e do Centro de História d’Aquém e d’Além Mar, da FCSH da UNL e UAC.
 
A conferência de abertura deste evento foi proferida por Diogo Ramada Curto (UNL - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas). Com o título “A colónia do Maranhão no Conferência de Diogo Ramada Curto século XVII”, a conferência foi antecedida de algumas considerações sobre a tensão entre as categorias, tipologias e sistemas classificatórios usados pelos arquivistas, a reconstituição das linguagens da época e ainda as questões colocadas à documentação do AHU. O conferencista ponderou também as falhas que, na sua perspectiva, uma pesquisa limitada às ilhas comporta, no que respeita à História do Atlântico, entre o Novo Mundo e a África. Além disso, mencionou a reaprendizagem feita no sentido de não complexificar excessivamente os factores em ponderação, identificando os mais importantes, na circunstância o tráfico de escravos. Em sequência, centrou-se na análise do texto produzido por João de Moura, “Collonia portugueza que conthem tres tratados”, em particular no primeiro discurso daquele autor, onde se analisa a colónia do Maranhão e se formulam propostas para a sua conquista e aproveitamento, em oposição à estratégia de acantonamento das populações ameríndias, preconizada pela Companhia de Jesus. Na sua comunicação, Diogo Ramada Curto sustentou a centralidade do tráfico negreiro como processo constituinte da construção do mundo atlântico e das dinâmicas sociais que nele se desenvolvem. A conferência de Diogo Ramada Curto suscitou animado debate, para o qual contribuíram, entre outros, os investigadores da equipa do projecto África Atlântica, questionando e problematizando, a partir de cada uma das vertentes do mundo atlântico implicadas no projecto, a proposta esboçada.
 
Conferência de Ângela Domingues e Carlos Almeida A conferência prosseguiu depois com a apresentação de comunicações por parte dos investigadores do projecto que, aprofundando algumas sugestões deixadas por Diogo Ramada Curto, revelaram, sobretudo, a riqueza do fundo documental do Conselho Ultramarino, objecto do projecto África Atlântica, para o conhecimento das sociedades e culturas do espaço atlântico e das dinâmicas e processos complexos que se tecem nesse espaço, e que as colocam em relação e confronto. Num primeiro momento, Ângela Domingues (IICT - Centro de História), debruçou-se sobre a actividade corsária no Atlântico nas primeiras décadas do século XVIII, durante a guerra da sucessão espanhola. A partir do ataque ao Rio de Janeiro, o mais conhecido da historiografia, foi possível àquela conferencista, baseada nas evidências localizadas no fundo do Conselho Ultramarino, estabelecer o nexo de relação com uma vaga de ataques corsários que, mais ou menos na mesma época, varreu os principais portos oceânicos, protagonizados em alguns casos, pelos mesmos nomes envolvidos no assalto ao Rio de Janeiro.
 
Na segunda comunicação, Carlos Almeida (IICT - AHU) começou por analisar dois pareceres ao Conselho Ultramarino elaborados por dois práticos da conquista de Angola, Gabriel Teixeira Franco e Bento Teixeira de Saldanha sobre a actividade das várias ordens religiosas naquelas paragens, e onde se destacava, sobre todos os institutos, a ordem dos capuchinhos. Aquele conferencista, discutindo o modelo de fixação das principais ordens religiosas na região central do continente africano, além dos capuchinhos, os jesuítas, sublinhou o contributo único daqueles para a consolidação da colónia portuguesa de Luanda, pese embora o facto de aqueles religiosos serem, na sua maioria, estrangeiros. Entre os vários planos da acção dos missionários, Carlos Almeida destacou, em particular, o seu papel na mediação de conflitos entre as autoridades de Luanda e os poderes africanos e o modo como essa actividade diplomática acabou, em última análise, por reforçar a posição de Luanda. Um tal contributo só foi possível, entretanto, devido ao modelo de instalação dos capuchinhos que, bem ao contrário dos jesuítas, mais sedentários e instalados na orla de Luanda, se dispersaram pelo território, circulando entre os centros de poder africanos.
 
Conferência de Arlindo Caldeira e Maria Manuel TorrãoA terceira comunicação coube a Arlindo Caldeira (CHAM - FCSH da UNL e UAC) que se debruçou sobre a relação do descobrimento da ilha de S. Tomé e aspectos da vida do autor de um manuscrito da Biblioteca da Ajuda, Manuel do Rosário Pinto, um padre, deão da Sé de S. Tomé na primeira metade do século XVIII, para interrogar as formas de conflitualidade social na ilha e as possibilidades de um tal modelo poder estender-se a outros espaços de presença colonial. A análise sobre aquele texto foi agora enriquecida pela identificação, no fundo do Conselho Ultramarino de alguns documentos a que Pinto fizera referência, mas que Arlindo Caldeira não lograra antes localizar.
 
Por fim, Maria Manuel Torrão (IICT - CH) apresentou uma comunicação na mesma linha problemática daquela exposta por Arlindo Caldeira, reflectindo sobre a conflitualidade social, mas em Cabo Verde, e delineando tópicos de pesquisa, caso dos níveis e modos de execução da lei, incluindo a partir de alguns documentos do fundo do Conselho Ultramarino (como cartas, ofícios, provimentos, devassas e requerimentos) e recordando também a excelente documentação que o Arquivo Nacional de Cabo Verde possui.
 
Conferência de Juliana Buse, Maria João Melo e Maria da Conceição CasanovaNa parte da tarde, os trabalhos da Conferência África Atlântica iniciaram-se com uma comunicação conjunta, apresentada por Juliana Buse, Maria João Melo (UNL - Faculdade de Ciências e Tecnologia), e Maria da Conceição Casanova (IICT - Centro de Documentação e Informação), sobre os problemas e desafios colocados às estratégias de conservação e restauro pela degradação dos documentos associada ao uso de pigmentos de cor verde com uma componente de cobre. A comunicação tomou por objecto de atenção a cartografia sobre o Brasil produzida no âmbito do Conselho Ultramarino e da Secretaria de Estado da Marinha e Domínios Ultramarinos, cuja legibilidade foi afectada pela uniformização do tom acastanhado que os diversos tons de verde adquiriram. Este processo ocorre igualmente na cartografia sobre Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e S. Tomé Príncipe, produzida no mesmo âmbito e com a qual é susceptível de ser comparada.
 
A Conferência África Atlântica - da Documentação ao Conhecimento, encerrou com uma apresentação dos resultados do projecto pela equipa que procedeu ao tratamento e descrição da documentação, liderada por Ana Cannas (IICT - AHU e investigadora responsável do projecto) e que integrou José Sintra Martinheira (IICT - AHU) e Dulce Figueiredo e Carlene Recheado (bolseiras FCT). Começou por se referenciar aspectos relativos ao desenvolvimento geral do projecto (financiamento, Equipa que procedeu ao tratamento e descrição da documentaçãoinstituições envolvidas, equipa, duração). Depois, historiou-se sumariamente o processo de constituição do actual fundo do Conselho Ultramarino: a existência de, pelo menos, duas a três grandes proveniências em termos de arquivos, alteração de funções das instituições produtoras, transferências de serviços e de documentação, descaminhos e destruição de documentos, riscos que atravessaram e sistemas de organização que foram tendo. Elencaram-se seguidamente algumas condicionantes do tratamento arquivístico e da recuperação de informação, mencionando-se a disponibilização ao público dos catálogos parciais das séries de Angola, Cabo Verde, Guiné e S. Tomé Príncipe no repositório digital ACTD http://actd.iict.pt/collection/actd:CUF002 e a digitalização de peças cartográficas e de um pequeno número de documentos textuais no início de cada série. Apontaram-se caminhos a seguir para completar o tratamento dessas séries, profundamente interligadas entre si e com as do Brasil, sem esquecer as relativas a Moçambique e ao Índico. Perspectivou-se diferentes modos de disponibilização ao público dos vários instrumentos de acesso do fundo do Conselho Ultramarino. Finalmente, referiu-se a continuidade do Projecto Resgate do Acervo Histórico de Cabo Verde em Portugal do Arquivo Nacional de Cabo Verde, a candidatura do IICT - AHU ao Programa IberArchivos – ADAI com o projecto “Cruzando o Atlântico: Acesso a documentação de S. Tomé e Príncipe do fundo do Conselho Ultramarino (1754 – 1821)”, o empenho do Arquivo Nacional de Angola no acesso à respectiva série documental e a possibilidade do AHU completar o tratamento da série da Guiné.
 
Exposição documentalO debate que se seguiu beneficiou muito com as contribuições dos presentes, entre eles vários utilizadores do AHU, mas especialmente dos representantes de diversos arquivos brasileiros e de arquivos nacionais da CPLP (Angola, Brasil, Moçambique), alguns dos quais parceiros do projecto, e que se deslocaram a Lisboa no âmbito da realização da XII Reunião da COLUSO e da VI Reunião do Fórum de Arquivos de Língua Portuguesa.
 

 Assistência à conferência

 

 

 

2014-11-04
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