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23 de Outubro de 2017
 
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Desafios futuros

A ferrugem alaranjada do cafeeiro encontra-se disseminada por todos os países cafeicultores não tendo sido reportada apenas no Hawaii e Austrália, por outro lado a antracnose dos frutos verdes, conhecida nos países de língua inglesa por Coffee Berry Disease (CBD), encontra-se confinada somente ao continente Africano.

 

Na maioria dos países cafeicultores, a ferrugem e/ou o CBD constituem um sério problema e, geralmente, estas doenças são controladas pela aplicação de fungicidas. Como é sabido, o controlo destas doenças por meio de substâncias químicas, encontra-se associada com alguns aspectos limitantes e negativos, variando de região para região e de país para país. Em alguns países africanos, o controlo de ambas as doenças pode representar cerca de 50% dos custos de produção.

Depois do lançamento de grande número de cultivares resistentes à ferrugem e ao CBD, aparentemente parece que o controlo destas doenças deixou de constituir um problema. Contudo, a realidade é bastante diferente!

 

O CBD está confinado a África e constitui uma série ameaça para os países cafeicultores, especialmente para aqueles que produzem Arábica (bastante susceptível) a elevadas altitudes.
Nos últimos anos, algumas cultivares melhoradas com resistência, começam gradualmente a ficar susceptíveis à ferrugem em alguns países, devido ao aparecimento de novas raças virulentas.
A perda de resistência em algumas variedades comerciais melhoradas pode trazer algum descrédito para as instituições, melhoradores e investigadores que as produziram. Esta situação agrava-se quando a) o mecanismo de variação nas populações de H. vastatrix é pouco conhecido e a evolução da virulência é desconhecida; b) a falta de conhecimento acerca dos mecanismos de resistência incluindo e inexistência de estudos, nos programas de melhoramento genético, sobre a base genética que condiciona a resistência.

 

Cooperação internacional mais intensivaConsequentemente, a durabilidade é imprevisível. A melhor maneira de tentar encontrar resistência duradoura será provavelmente observar cultivares ou genótipos de cafeeiro que se tenham mostrado resistentes a uma grande variabilidade do agente patogénico. Será necessário estudar a resistência no hospedeiro e efectuar estudos paralelos sobre a variabilidade no agente patogénico. Quanto maior for o conhecimento acerca dos mecanismos de resistência, maior será a probabilidade de se predizer a sua durabilidade. A informação deverá ser adquirida de modo integrado a partir de estudos histológicos, bioquímicos, genética (qualitativa e quantitativa) clássica e molecular de modo a possibilitar a quantificação do potencial de durabilidade. Os estudos de resistência efectuados simultaneamente com o conhecimento dos mecanismos e dinâmica da variação (virulência e agressividade) nas populações de H. vastatrix permitirão fornecer a compreensão de como as populações do agente patogénico respondem a diferentes tipos de resistência (completa e incompleta) sob várias condições agro-ecológicas nas quais se cultiva o cafeeiro. Estes estudos integrados permitirão a obtenção de uma visão abrangente do potencial de durabilidade da resistência.

Por outro lado a rapidez da obtenção da informação é importante e deverá encontrar-se disponível antes do lançamento das cultivares comercias.

Deste modo, para consumar “os desafios futuros” referidos acima, é recomendada uma maior e intensiva cooperação. Os países cafeicultores deveriam juntar esforços no sentido de solicitar às organizações internacionais financiamentos e subsídios para trabalhos de investigação tanto na ferrugem como noutras doenças do cafeeiro de acordo com os seus interesses e a indústria do café, a nível mundial.

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