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Foi o General Norton de Matos (1867-1955) enquanto produtor, organizador e utilizador de informação que o Doutor Armando Malheiro da Silva apresentou na passada quinta-feira, dia 21 de Fevereiro, na conferência “Norton de Matos através da informação de/sobre si” realizada no Arquivo Histórico Ultramarino e comentada pelo Dr. José Norton.
O orador de mais uma palestra do III Ciclo de Conferências Ciência nos Trópicos tem trabalhado desde 1994 como historiador, arquivista e investigador em Ciência da Informação, no Arquivo/Biblioteca particular do General José Mendes Ribeiro Norton de Matos, localizado na Casa de Família em Ponte de Lima.
Para tratar a informação contou com a colaboração da família de Norton de Matos e utilizou um modelo arquivístico “de mediação” que possibilita contextualizar a informação através da sua organização. De acordo com o conferencista, este modelo permite “dar logo a informação que está ligada à estrutura e depois ir aos documentos propriamente ditos”. “Permite dar o contexto e ao mesmo tempo dar a informação”, explicou. No arquivo de Norton de Matos a catalogação foi feita utilizando o modelo SIFP, sistema de informação familiar permanente, com a informação relativa à geração e, em cada membro da geração, os seus casamentos e as suas famílias nucleares.
A responsável pelo Arquivo Histórico Ultramarino, Ana Cannas, que presidiu à conferência em substituição do presidente do IICT, realçou a importância dos arquivos privados, sublinhando não haver ainda em Portugal um “registo nacional” deste género de arquivos. “Só o conhecimento da existência do arquivo e de que está preservado em casa é muito importante”, afirmou.
Como é que é possível a utilização deste arquivo por um público mais vasto? Foi a pergunta que colocou o Doutor Luís Farinha, entre outras intervenções do público, depois de admitir estar maravilhado com a forma como foi organizado este arquivo de família. Armando Malheiro da Silva explicou que esta recolha de informação é feita em espaço privado e por isso a questão do acesso não se põe como se estivesse num arquivo público. “Também já nos perguntámos porque não rentabilizar esta informação, mas passa pelo que a família for entendendo fazer”, disse. E sugeriu a disponibilização apenas da catalogação, uma vez que esta dá a conhecer também a bibliografia dentro do contexto do arquivo.
O Dr. José Norton, biógrafo de Norton de Matos e seu sobrinho-neto no lugar de comentador referiu ser um consumidor de arquivos. Conhecendo, além deste, vários arquivos particulares ligados à família, deu a informação em primeira mão que, entre uma série de documentos que lhe foi entregue recentemente, estava um diário de José Mendes Ribeiro, avô paterno de Norton de Matos e figura liberal de Viana de Castelo. Acrescentou que iria provavelmente publicar o diário, escrito em Inglaterra, durante o exílio após a Belfastada, sublevação liberal contra D. Miguel, em 1828.
Ficou acordado que tanto o Doutor Armando Malheiro da Silva como o Dr. José Norton escreveriam um texto para o blogue História Lusófona do IICT.
Ainda durante a conferência esteve patente, na Sala dos Códices, um apontamento expositivo organizado pelo AHU, relativo a Norton de Matos.