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17 de Outubro de 2017
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Nota da Conferência: Saber e Arquivos de S. Tomé e Príncipe

Conferência: Saber e Arquivos de S. Tomé e Príncipe

AHU, 21 de Junho, às 17h30

 

Oradores: Joaquim Machado, Lourdes Henriques e Teresa Saraiva (DGARQ); Ana Cannas, Carla Santos, José Sintra e Rui Sousa Pinto (AHU/IICT)
Comentador: Arlindo Caldeira (CHAM/UNL)
Mesa: Ana Cannas, Professor Braga de Macedo, Arlindo Caldeira, Joaquim Machado e Francisco Mantero

 

O Professor Braga de Macedo deu início à conferência, dando as boas vindas a todos os presentes. Chamou a atenção para o facto de, no mesmo dia, se terem organizado dois eventos de História Lusófona: o Seminário Internacional – Novos Rumos da Historiografia dos Palop, no CDI/IICT e, de tarde esta conferência. Frisou, ainda, a estreita colaboração com a Direcção Geral de Arquivos.

A conferência iniciou-se com Joaquim Machado, representante da DGARQ. Começou por apresentar o projecto sobre as primeiras missões técnicas a S. Tomé e Príncipe, iniciadas em 2006 descrevendo, o estado caótico da documentação aquando da chegada destas missões a Santo António. Falou, depois, da melhor forma de preservação, tratamento e arquivo da documentação.
 

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Joaquim Machado, da DGARQ

 

Joaquim Machado terminou a sua apresentação dando a palavra a Ana Cannas, coordenadora do projecto “Sabores e saberes tropicais: acesso ao Fundo Francisco Mantero”, financiado pelo IberArchivos/ADAI, a que se seguiram os bolseiros Carla Santos e Rui Sousa Pinto e José Sintra, do AHU.

 

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Ana Cannas, do AHU

 

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Carla Santos, Bolseira do AHU

 

Trata-se do fundo documental da família Francisco Mantero, doado ao IICT em 1991 e que ingressou noAHU em 2002/03. É composto por 200 metros lineares de documentos que datam de cerca de 1870 até aos anos 70 do século XX. 

 

É um fundo de índole empresarial e pessoal/familiar, com correspondência e fotografias. Versa sobre as ilhas de S. Tomé e Príncipe, mas abrange também outras áreas geográficas em África, na América, Europa e mesmo na Ásia. Integra diversos tipos de documentos como contratos de trabalhadores oriundos de outras regiões africanas e até da China, informações sobre a produção de cacau e outros produtos, as relações comerciais, os movimentos migratórios, ou sobre aspectos técnicos e científicos, caso da análise de solos ou de sementes de cacau.

 

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Rui Sousa Pinto, bolseiro do AHU

 

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José Sintra, colaborador do AHU

A documentação encontra-se instalada em 188 contentores metálicos e alguns de madeira , frequentemente emmaços atados com cintas, com informações sobre o conteúdo relevantes para se compreender a organização original. Abertos os contentores, 1/3 da documentação foi até ao momento higienizada reacondicionada e reinstalada, seguindo-se uma descrição mínima de parte da documentação. A equipa do AHU chamou a atenção para a impossibilidade de, em cinco meses, o tempo de duração do projecto, tratar toda a documentação, mas sublinhou que uma pequena parte ficará acessível na Sala de Leitura e que se envidarão esforços para obter financiamentos que viabilizem a continuidade deste projecto.

 

De seguida o Professor Braga de Macedo deu a palavra ao comentador, Arlindo Caldeira do CHAM/UNL, historiador, conhecedor de documentação relativa a S. Tomé e Príncipe sobretudo dos séculos XV e XVI. Começou por referiras más condições ambientais a que o papel se encontra sujeito em S. Tomé e Príncipe,.
 

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Arlindo Caldeira, do CHAM/UNL

 

Perguntou à equipa da DGARQ, relativamente ao arquivo da ilha do Príncipe, se se encontra aberto ao público e a que séculos reporta a documentação.

Em relação ao fundo da família Francisco Mantero, mostrou curiosidade em saber que novidades trarão a sua análise e quando estarão disponíveis todos estes documentos, quecom certeza permitirão conhecer melhor o trabalho nas roças ou como era gerida a propriedade no século XIX.

Falou dos “brancos da terra”, designação que se referia aum estatuto social baseado na posse da terra e não reflectia, necessariamente o aspecto físico embora os próprios reclamassem para si e terem sangue europeu É a chamada 2ª colonização de S. Tomé e Príncipe.

Arlindo Caldeira congratulou as equipas técnicas que estiveram na ilha do Príncipe, não só a recuperar documentação, mas também com um objectivo pedagógico e cultural, de despertar, na população, um sentimento de identidade através da sua história. Espera, à semelhança do que aconteceu para Cabo Verde que se consiga, um dia, escrever uma História Concisa de S. Tomé e Príncipe.

 

O Professor Braga de Macedo apresentou o representante da Embaixada de S. Tomé e Príncipe, Fernando da Silva Simão, e apelou ao conhecimento mútuo entre nações focando a importância do da documentação para esse objectivo.
 

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Fernando da Silva Simão em frente à mesa


De seguida interveio Francisco Mantero que salientou que a documentação doada ao IICT trata de três níveis diferentes de História: empresarial, familiar e de Portugal. Referiu, em seguida , alguns aspectos da actividade da família Mantero, que permitem contextualizar melhor esta documentação.

A família de Francisco Mantero construiu o Hospital da ilha do Príncipe, localizado na roça Esperança, a primeira roça adquirida pelo bisavô de Francisco Mantero. O seu bisavô foi decisivo para o desenvolvimento agrícola, empresarial e para a formação da propriedade das ilhas de S. Tomé e Príncipe: “colocou-as” na Europa. Francisco Mantero referiu também que, em 1882 o seu bisavô adiantou dinheiro para pagar aos funcionários públicos em S. Tomé e Príncipe, dada a crise finaceira de então..
 

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Francisco Mantero, representante da família que doou o espólio ao IICT, com Prof. Braga de Macedo

 

Foi ainda graças ao avô e, numa fase posterior, ao pai de Francisco Mantero que se conseguiu a classificação de “flavour” para o cacau de S. Tomé. após o, uma luta difícil e longa.

Francisco Mantero relembrou também que, , a organização da propriedade e da produção nas ilhas de S. Tomé e Príncipe era caótica e que inclusivamente, uma praga de insectos devastou os cacaueiros quando lhes foram retiradas as sombras com o intuito de acelerar o seu crescimento. Neste sentido e na esperança de dinamizar a produção, a família Francisco Mantero importou espécies híbridas que vieram revolucionar as produções de cacau destas ilhas.

No final do século XIX a propriedade passou a ser feita de forma mais organizada e sofisticada. Isto fez com que em 1974 a produção do cacau de S. Tomé e Príncipe alcançasse um enorme sucesso ao nível mundial e, em 1975, com a crise do petróleo, a sua venda atingisse valores históricos. Finalmente, Francisco Mantero felicitou o trabalho e o empenhamento da equipa do AHU no tratamento da documentação da da sua família.

 

Foi então passada a a palavra ao representante da embaixada de S. Tomé e Príncipe que disse estar muito sensibilizado com o facto de estes projectos não só se preocuparem com a salvaguarda da documentação, mas também com o acesso e a sua divulgação junto das escolas. Considera que as crianças precisam de conhecer a sua história, as suas origens, para terem orgulho no seu país.

 

Debate com o público

 

Um membro do público relembrou a importância da valorização do património comum, do “nosso”, como a língua portuguesa, que é essencial divulgar-se. Neste contexto, o Professor Braga de Macedo referiu que prefere a palavra mútuo, em substituição do “nosso”, mais em conformidade com a Declaração de Bissau.

Um outro membro do público chamou a atenção para a necessidade da introdução da história de S. Tomé e Príncipe nos manuais escolares. Perguntou-se ainda de que forma se pode aceder à documentação do fundo da família Francisco Mantero.

Joaquim Machado (DGARQ) interveio no debate dizendo que ainda há muito trabalho para fazer no Príncipe e que o objectivo é disponibilizar toda documentação recolhida. É importante que se inicie o processo de digitalização, e que se salvaguarde da documentação ainda dispersa. Além disso mencionou que o Arquivo Histórico de S. Tomé e Príncipe tem documentos não tratados e por isso menos conhecidos.

Joaquim Machado continuou dizendo que a família Francisco Mantero foi muito importante para o desenvolvimento das ilhas de S. Tomé e Príncipe. Criaram a roça de Sta. Margarida e, em articulação contínua com investigadores introduziram inovações agrícolas, como a nova cultura do coqueiro anão, mais produtivo. Dotaram as roças de maquinaria própria para o tratamento dos solos. Todas estas informações e muitas outras podem ser encontradas na documentação que já foi tratada mas também na que ainda faltar tratar!

Joaquim Machado referiu-se à enorme gratidão que a administração local tinha para com a Família Mantero e ao facto de os trabalhadores preferirem e trabalhar em roças como a de Porto Real, onde se reuniam condições para um trabalho digno.

A directora do AHU, Ana Cannas falou do acesso à documentação do fundo Francisco Mantero. O objectivo é tornar pública aa descrição parcial efectuada , num ficheiro acessível pelo menos na Sala de Leitura. Relativamente às fotografias, seria útil proceder à sua identificação em colaboração com a família, para futura divulgação on-line através do ACTD.
 

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Visão geral do público

 

Teresa Saraiva (DGARQ) referiu que grande parte da documentação que se perdeu em S. Tomé e Príncipe, relativa às roças, se tratava de cópias, uma vez que os originais eram enviados para a Metrópole estando, assim, esta informação salvaguardada,. Mencionou o reaproveitamento pela administração pós-independência, do verso de documentos produzidos pela administração portuguesa, o que originou dois arquivos


Para finalizar, focaram-se os Acordos Internacionais do Cacau como reguladores dos preços e a intervenção portuguesa na sua negociação, o que foi cõnsideradouma importante linha de investigação, após o que o Professor Braga de Macedo deu por terminada a Conferência
 

2011-07-13
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