
Conferência: Entre Militarite Aguda e Colonite: republicanos, nativistas e intermediários na Guiné Portuguesa (1905-1920)
24 de Junho: pelas 17h30
Conferencista: Philip J. Havik (Instituto de Investigação Científica Tropical)
Comentador: Aida Freudenthal (Instituto de Investigação Científica Tropical)
Um trecho da fortaleza de S. José, Guiné Bissau Iconoteca, AHU |
Resumo: No caso da Guiné, tal como noutras colónias portuguesas, o período entre 1905 e 1920 foi caracterizado por um crescente levantar de vozes por parte de uma sociedade civil, ainda em formação. Os ecos destes críticas e protestos, essencialmente contra políticas conduzidas por governos metropolitanos nos últimos anos da monarquia, chegaram a Portugal tal como as movimentações na metrópole começaram a ter um impacto sobre a tomada de posições contra um regime enfraquecido. Um dos factores decisivos na Guiné foram as campanhas militares, ditas de ‘pacificação’, que se intensificaram a partir de 1890/1, com o Ultimato Britânico, e que findaram em 1915 após a submissão da maior parte dos povos nativos. Estas campanhas fomentaram uma radicalização da oposição por parte de funcionários e comerciantes, vindos da metrópole, mas também doutras colónias, além de grupos nativos e grande parte da população guineense afectada, que por sua vez teve um forte impacto na governação deste canto do império. Com os governos republicanos e as reformas que empreenderam a partir de 1910, estes conflitos internos agudizaram-se, de tal forma que a metrópole decidiu intervir através da nomeação de vários governadores e de sindicantes, para pôr ordem na situação e investigar uma série de queixas. Os relatórios destes e os panfletos produzidos por membros da sociedade civil permitem entender melhor as razões para estes conflitos, que mostram uma invulgar dinâmica social e cultural recheada de ideias republicanos, proto-nacionalistas e nativistas.
Philip J. Havik é investigador do DES-IICT e doutorado em Ciências Sociais pela Universidade de Leiden em Holanda. A sua investigação de carácter multidisciplinar centra-se nos PALOP, nas antigas colónias portuguesas em África, e sobretudo na Guiné-Bissau. As suas publicações mais recentes incluem Tchon i Renansa: colonial governace, appointed chiefs and political change in 'Portuguese Guinea', in: Keese, A. (coord.) Ethnicity and the Long Term Perspective: the African experience (Basel, P. Lang: 2010: 155-90); Motorcars and Modernity: pining for progress in Portuguese Guinea, in: Gewald, J.B, Luning, S & Walraven, K. The Speed of Change: motor vehicles and people in Africa, 1890-2000 (Leiden, Brill: 2009: 48-74); Tributos e Impostos: a crise mundial , o Estado Novo e a politicia fiscal na Guiné, in: Economia e Sociologia, 85, 2008: 29-55, e em colaboração com Malyn Newitt, Creole Socieities in the Portuguese Empire (Bristol, 2007).
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