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20 de Setembro de 2017
 
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Nota da conferência de dia 25 de Setembro de 2014: Entre o Projecto Resgate e o África Atlântica: caminhos de partilha do património arquivístico comum
Nota da conferência de dia 25 de Setembro de 2014
Entre o Projecto Resgate e o África Atlântica: caminhos de partilha do património arquivístico comum
 
No âmbito do projecto África Atlântica África Atlântica: da documentação ao conhecimento, sécs. XVII-XIX, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, realizou-se no dia 25 de Setembro, no AHU, uma conferência com a Doutora Esther Bertoletti, consultora em documentação da Fundação Biblioteca Nacional, e coordenadora técnica do Projecto Resgate de Documentação Histórica Barão do Rio Grande, do Ministério da Cultura do Brasil. A Doutora Esther Bertoletti foi também consultora externa do projecto África Atlântica.
 
Em representação do presidente do IICT, Prof. Jorge Braga de Macedo, a directora do AHU, Doutora Ana Cannas deu as boas vindas à conferencista, destacando o seu vasto curriculum, a relação estreita de longa data mantida com o AHU e a sua valiosa experiência e conhecimento no domínio da preservação e recuperação de acervos documentais.
 
Esther Bertoletti começou por evocar o contexto em que foi decidido e lançado o Projecto Resgate de Documentação Histórica Barão do Rio Grande, marcado pelas comemorações dos 500 anos do Brasil. Tratou-se de um projecto de grande dimensão e complexidade destinado a inventariar e descrever toda a documentação relativa ao Brasil dispersa pelos vários arquivos e bibliotecas europeias, e que teve no Arquivo Histórico Ultramarino um dos seus primeiros e principais centros de interesse, dada a importância da documentação aí guardada, pertencente ao fundo do Conselho Ultramarino. Também por essa razão, do conjunto da documentação levantada, esta foi a única que foi integralmente microfilmada. O Projecto Resgate, como é vulgarmente conhecido, foi impulsionado por uma forte vontade política do Governo do Brasil e gerou um enorme interesse que ultrapassou em muito o Brasil e permitiu reunir contributos financeiros de mais de 200 instituições que somaram o equivalente a 80 por cento do orçamento total. O desenvolvimento do projecto permitiu identificar documentação pertinente para a história do Brasil em muitas capitais e cidades europeias, incluindo em Portugal, cuja existência era em grande medida desconhecida. Ao mesmo tempo, o projecto enfrentou e continua a enfrentar as dificuldades decorrentes da grande extensão geográfica do Brasil, no esforço para identificar e inventariar documentação com valor histórico relevante dispersa por inúmeras instituições, caso dos mais de cinco mil municípios existentes no país. Para além da inventariação da documentação relativa ao Brasil e, no caso do AHU, da reprodução em microfilme dessa documentação, o Projecto Resgate articulou-se com o Projecto Reencontro, português, relativo à identificação e reprodução de documentação localizada no Brasil e pertinente para Portugal, que foi entregue ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo. O Projecto Resgate é responsável, em larga medida, pelo forte impulso e pelo alargamento de perspectivas registado na produção historiográfica brasileira do período colonial, sobretudo durante a última década, e que Esther Bertoletti referenciou sumariamente.
 
Na sua intervenção, a conferencista destacou a contribuição essencial de África no processo de construção das relações entre Portugal e o Brasil e a necessidade daí decorrente de uma política que seja capaz de promover o conhecimento e a partilha de acervos documentais desde logo entre os países de língua oficial portuguesa, mas envolvendo também os espaços geográficos e culturais que mantiveram, outrora, relações com o Império Português. O projecto África Atlântica deu, a este propósito, um forte contributo para o desenvolvimento desse trabalho, salientando-se o espírito de cooperação hoje existente entre os arquivos nacionais dos países de língua oficial portuguesa e o interesse manifesto no aprofundamento dessa relação.
 
A conferência suscitou um debate animado entre a assistência que contou com os contributos de vários investigadores dos países de língua oficial portuguesa que realizam pesquisas no AHU, e que a partir da reflexão de Esther Bertoletti, discutiram os problemas, progressos e desafios na preservação e acesso ao património arquivístico comum que a diversidade de usos acentua. Entre eles, Yolanda T. Duarte, referindo-se ao tráfico de escravos, estendeu a Moçambique a interligação entre os documentos relativos ao Brasil e a Angola e mencionou a utilidade de projecto similar ao África Atlântica e ao Resgate, incluindo a componente de digitalização sistemática, para facilitar o uso desta informação nomeadamente nas universidades moçambicanas. Daniel Pereira, desde há muito empenhado no acesso à documentação relativa a Cabo Verde e na produção historiográfica sobre este país, destacou a dificuldade de circulação de publicações em língua portuguesa entre os países da CPLP e a importância de medidas políticas para o respectivo desagravamento alfandegário.
2014-10-29
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