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24 de Julho de 2017
 
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Objectivos Gerais

Enquadramento histórico:

DA MEAU AO ECO-BIO – MEIO SÉCULO PLENO DE ACTIVIDADE

 

António Eduardo Leitão, José Cochicho Ramalho e Maria José Santos

Centro de Ecofisiologia, Bioquímica e Biotecnologia Vegetal / IICT

 

 

A Missão de Estudos Agronómicos do Ultramar (MEAU) foi criada em 1960 (Portaria nº 17549, de 23 de Dezembro) para efectuar “estudos agronómicos de base, necessários ao desenvolvimento da agricultura e actividades correlativas – silvicultura, pecuária e utilização dos recursos biológicos naturais – nas províncias ultramarinas em que lhe seja determinado operar”.

 

Tinha dezasseis departamentos especializados: Bioclimatologia, Culturas Perenes Tropicais, Entomologia, Fertilidade do Solo, Fisiologia Vegetal e Radioisótopos, Fitoquímica, Fitossociologia, Genética e Melhoramento, Irrigação, Pecuária, Pedologia, Planeamento e Desenvolvimento Agrícola, Transformação, Conservação e Tecnologia dos Produtos Agrícolas, Economia e Sociologia Rurais, Estatística Matemática e Delineamento Experimental e Documentação e Difusão. Aos departamentos estavam associados 15 laboratórios.

 

Para fazer face ao enorme volume de actividades desenvolvidas, de 1960 a 1973 foram recrutadas 410 pessoas (144 de formação universitária, 189 técnicos auxiliares e 77 administrativos), muitos dos quais exerceram a sua actividade nas brigadas agronómicas territoriais, em Cabo Verde, Guiné, São Tomé e Príncipe, Estado da Índia, Macau, Timor, Angola e Moçambique.

 

Até 1974, a MEAU desenvolveu um trabalho notável para o conhecimento dos territórios e da agricultura onde actuou, tendo sido o primeiro organismo científico de feição agrícola de actuação sistemática que neles e para eles se estabeleceu.

 

A MEAU foi responsável pelo estabelecimento da Estação de Investigação Agrícola do Potó em São Tomé, da Estação Agrícola do Pessubé na Guiné e de campos experimentais em Cabo Verde, Macau, Estado da Índia e Timor, tendo ainda planeado e organizado uma estação agrícola em Angola, que viria a transformar-se no Instituto de Investigação Agronómica de Angola.

 

Para além de estudos pormenorizados de solos (Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné, Estado da Índia e Timor), clima (caracterização climática, estudos de interesse agrícola e captação de água do nevoeiro) e de vegetação (reconhecimento sistemático das formações vegetais da Guiné), destacam-se ainda estudos de fertilidade do solo, da dinâmica do fósforo e do potássio em solos tropicais, de adubação e condução de culturas tropicais (cacau, café, bananeira, arroz, amendoim, frutícolas), assim como de obtenção e/ou introdução de novas variedades de cacau, bananeira, café arábica e palmeira-do-azeite. Efectuaram-se ainda estudos sobre a resistência à secura e alterações metabólicas associadas, a identificação de pragas e doenças (reconhecimento sistemático da entomofauna de Cabo Verde) e introdução dos meios de combate, a caracterização física, química e tecnológica de cafés de Angola, Cabo Verde e Timor. Estudos com cajú incluíram a industrialização do descasque da castanha e os sistemas de extracção do bálsamo. Foram igualmente levados a cabo estudos sobre o aproveitamento do óleo de purgueira como biocombustível.

 

Como corolário dessas actividades, numerosos trabalhos foram publicados em revistas nacionais (Estudos Agronómicos; Garcia de Orta, Série Estudos Agronómicos; Comunicações; Informações Técnicas; colecções da JICU) e estrangeiras. Outros resultados relevantes que ficaram por publicar, restringindo a sua divulgação, foram entretanto introduzidos na base de dados das publicações do IICT.

 

Após reestruturação do Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT) em 1983, a MEAU passou a designar-se Centro de Estudos de Produção e Tecnologia Agrícolas (CEPTA), que teria como principais atribuições: realizar estudos e ensaios com vista ao desenvolvimento da agricultura nas regiões tropicais; promover e realizar os estudos de base necessários à caracterização dos produtos agrícolas tropicais e investigar os métodos tecnológicos para o seu melhor aproveitamento; promover actividades de desenvolvimento experimental no âmbito da produção e tecnologia agrícolas; desenvolver formas de intercâmbio científico. Nesta altura, já com um número de funcionários consideravelmente menor, relativamente ao início da década anterior, o CEPTA integrava Grupos de Trabalho nas áreas de Fisiologia Vegetal, Fitopatologia, Fitoquímica, Fitotecnia e Nutrição Mineral das Plantas, Transformação, Conservação e Tecnologia Agrícolas, Documentação e Difusão, Estatística Matemática e Delineamento Experimental e o Laboratório de Análises de Plantas.

 

Figuras proeminentes, de reconhecido mérito nacional e internacional, científico e técnico, desenvolveram ao longo dos anos a sua actividade na MEAU/CEPTA, destacando-se, por exemplo, o Eng. H. Laíns e Silva (fundador da MEAU e especialista em cafeicultura), Eng. A. Baião Esteves (Tecnologia Agrícola), Eng. J. Santos Oliveira (Tecnologia Agrícola), Eng. M. Mayer Gonçalves (Fertilidade do Solo, com trabalho particularmente relevante em Timor Leste) e a Dr.ª Maria Antonieta Nunes (Fisiologia e Bioquímica Vegetal, reconhecida internacionalmente pelos seus estudos pioneiros de fisiologia do cafeeiro).

 

Na sequência da publicação da nova Lei-Orgânica do IICT (Dec.-Lei nº 297/2003, de 21 de Novembro) e da importante reorganização estrutural do IICT que se lhe seguiu, foi criado em 2005 o Centro de Ecofisiologia, Bioquímica e Biotecnologia Vegetal (Eco-Bio) que integrou uma parte significativa do pessoal de investigação do CEPTA, e portanto parte das suas competências. Pretendeu-se com a criação deste Centro de Actividade congregar esforços e obter massa crítica, criando sinergias internas e externas nas suas áreas de actuação e permitir estudos interdisciplinares, nomeadamente nas áreas de produtividade de plantas tropicais e sub-tropicais, de caracterização e selecção de genótipos face a limitações ambientais abióticas e bióticas, de fixação simbiótica de azoto e de tecnologia pós-colheita, qualidade e segurança alimentar. A cooperação internacional em diversas áreas, preferencialmente com a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), através do desenvolvimento científico e técnico, a promoção de actividades de capacitação (por ex., através de cursos e estágios de curta duração) e de formação avançada, assim como o desenvolvimento de actividades com a sociedade civil, nomeadamente, cursos, estágios, dias abertos e visitas (estudantes do ensino secundário, do ensino técnico-profissional, entre outros) são também objectivos do Centro Eco-Bio.

 

 

Bibliografia consultada

IICT - Da Commissão de Cartographia (1883) ao Instituto de Investigação Científica Tropical (1983) 100 Anos de História. IICT, Lisboa, 1983, 481 p.

IICT – Anuário de Actividades 1992. IICT, Lisboa, 1993, 608 p.

 

Temáticas actuais:

Promover estudos interdisciplinares, a nível morfológico, fisiológico, bioquímico e molecular, visando a compreensão de aspectos importantes da resposta de plantas a stresses bióticos e abióticos, do desenvolvimento vegetal, da biodiversidade, da técnologia pós-colheita e da segurança alimentar. Senso lato, pretende-se contribuir para a resolução de problemas de natureza agronómica, ecológica ou industrial de relevância nos países tropicais e sub-tropicais.


Cooperar internacionalmente em diversas áreas de actuação, preferencialmente com os países lusófonos, através do desenvolvimento científico e técnico, contribuindo para a sustentabilidade dos sistemas agrários tropicais e a gestão de recursos naturais.


Proporcionar formação avançada através da docência de aulas de mestrado e da elaboração e execução de planos de mestrado, doutoramento e pós-doutoramento para formandos nacionais e estrangeiros.

 

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