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24 de Abril de 2017
 
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Nota da conferência de dia 25 de Novembro de 2014

 

Os tentáculos através do Atlântico: acção da Inquisição de Lisboa na Baía setecentista.

 

Em representação do Presidente do IICT, Jorge Braga de Macedo, a directora do Arquivo Histórico Ultramarino, Ana Cannas, abriu a sessão, dando as boas vindas aos presentes e cumprimentando, em especial, a conferencista, Grayce Souza, da Universidade Estadual do Sudoeste da Baía, e a comentadora, Maria de Deus Manso, da Universidade de Évora.

 

Na sua conferência, Grayce Sousa propôs-se abordar o tema da Inquisição não sob o ponto de vista dos processos, dos seus alvos ou da sua tramitação, mas antes sob o prisma da sua implantação no terreno por via da malha dos seus agentes que assegurava, na prática, a amplitude da sua intervenção pelos espaços do império. Com esse propósito, analisou a formação da rede de agentes inquisitoriais na Baía, durante o final de Seiscentos e o início de Setecentos, através do instituto da habilitação. Desde a habilitação do primeiro Comissário do santo Ofício, em 1692, a investigadora notou um assinalável fluxo de processos de habilitação de agentes inquisitoriais, desde delegados a notários, incluindo os qualificadores e os familiares. O grande número de habilitados contrasta, aliás, com a relativa escassez de sentenciados, em particular ao longo do século XVIII. A explicação para essa aparente incoerência, entre o número de agentes e a quantidade de condenações, estará, segundo Grayce Souza, no facto de a habilitação, para a qual a pureza de sangue era um atributo fundamental, se ter tornado, por essa via, um importante veículo de promoção social. Concomitante com o grande número de agentes habilitados é, justamente, o volume dos processos recusados, na sua esmagadora maioria, mais de cinquenta por cento, por suspeitas de judaísmo.

 

No seu comentário, Ana Cannas equacionou a possibilidade de o grande número de habilitados estar directamente relacionado, além da estratégia de promoção social, com a necessidade de reforço dos instrumentos de controlo social sobre uma cristandade em larga medida em processo de formação. A este propósito, Ana Cannas interrogou-se sobre as razões que terão justificado a necessidade da existência de um Tribunal do Santo Ofício na Índia, por comparação com o ocorrido nas Américas. No final, gerou-se um debate animado durante o qual a conferencista, Grayce Souza, e a comentadora, Ana Cannas, responderam a questões suscitadas pelo público que assistiu à conferência.

 

2015-03-26
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