28 de Junho de 2017
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Biodiversidade e Ecossistemas / Ecossistemas

Os ecossistemas constituem unidades funcionais onde as componentes bióticas (flora e fauna) e o meio físico (ar, água, solo) interagem numa multiplicidade de processos ecológicos cujo conhecimento é fundamental para a sua conservação e gestão integrada. Cabe, ainda, envolver as componentes sociais e humanas, pois só a integração entre conservação e desenvolvimento sócio-económico dará suporte à sustentabilidade ambiental, que se pretende.


A defesa destes princípios é prosseguida por várias convenções e programas internacionais como o International Geosphere-Biosphere Programme (IGBP), a United Nations Convention to Combat Desertification (UNCCD) e a Convention Concerning the Protection of the World Cultural and Natural Heritage, da UNESCO, responsável pelaWorld Heritage List, onde se incluem as Reservas da Biosfera. 

Nesta área científica, a investigação desenvolvida no JBT procura conhecer o funcionamento, dinâmica e evolução de ecossistemas tropicais africanos cuja diversidade (e.g. desertos, dunas, florestas, mangais, zonas húmidas, paisagens culturais, entre muitas outros) reflecte a grandeza e diversidade deste continente.


Pretende, também, identificar os valores naturais mais relevantes e promover a sua conservação e salvaguarda, através da definição de adequadas medidas de gestão, concorrendo, assim, para a promoção do desenvolvimento de áreas como a do ecoturismo.


Por outro lado, as actividades de investigação incidem, também, sobre a avaliação de riscos face a factores antrópicos de perturbação, como sejam as derrubas, as queimadas, o pastoreio, a introdução de espécies exóticas, ou outros, que afectam a integridade ecológica dos ecossistemas e que se traduzem na destruição ou fragmentação dos ecossistemas, com a consequente redução da viabilidade das populações das espécies e destruição das comunidades nativas.
Vulcão da ilha do Fogo (ao fundo) e Artemisia gorgonum, espécie endémica em Cabo Verde (em 1º  plano)
Particularmente vocacionados para estudos em países com especiais ligações a Portugal, os investigadores do IICT têm desenvolvido a sua actividade em várias regiões geográficas, nomeadamente Guiné-Bissau, Cabo Verde e Angola, privilegiando parcerias com entidades congéneres de investigação ou universitárias e apoiando a formação de quadros nestes países, como vertente essencial nesta colaboração.

Na Guiné-Bissau contribuiu-se para a implementação de áreas protegidas, nomeadamente do Parque Natural das Lagoas de Cufada, tendo-se procedido à identificação e caracterização ecológica das principais formações vegetais.

 

Vulcão da ilha do Fogo (ao fundo) e Artemisia gorgonum, espécie endémica em Cabo Verde (em primeiro plano) (M.C.Duarte)

 Mangal destruído nas margens do Rio de Baboque (Guiné-Bissau)

 

Em curso, encontra-se o estudo das Alterações do Coberto do Solo e Etapas de Sucessão nas Florestas do Cantanhez e a Quantificação do Carbono Armazenado e da Capacidade de Sumidouro da Vegetação Florestal da Guiné-Bissau. Este último projecto, relacionado com o Protocolo de Quioto, que pretende limitar as emissões de gases com efeito de estuda para a atmosfera, contribuirá para o estabelecimento do cenário base (exigido aos países que, como a Guiné-Bissau, ratificaram este Protocolo), através da quantificação do carbono armazenado na biomassa aérea, da avaliação dos fluxos de carbono na vegetação florestal e da instalação de um sistema de monitorização das florestas.

 


Mangal destruído nas margens do Rio de Baboque (Guiné-Bissau) (F.Rosa)


Sobre ecossistemas insulares, encontra-se em curso o estudo da Vegetação das ilhas de Cabo Verde e, face aos importantes impactos que as plantas exóticas têm sobre a biodiversidade e comunidades naturais deste arquipélago, iniciou-se uma abordagem às Plantas Exóticas e Invasoras, tendo como objectivo final avaliar e propor medidas de mitigação ajustadas à realidade cabo-verdiana.

 

Em Angola, pretende-se contribuir para identificar as Áreas de Interesse Biológico do Noroeste de Angola, através do estudo da fauna e flora desta região.
Para este país, podem ainda, referir-se os recentes trabalhos de graduação e pós-graduação resultantes da cooperação entre o IICT, o Instituto Comunidade com Euphorbia dinteri no Namibe, Angola Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa e a Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Agostinho Neto, de Angola, que culminaram em várias publicações como sejam a Vegetação da Serra da Leba (Cardoso et al. 2006), os Mangais da Costa Angolana (Costa et al. 2006) e os Tipos de Vegetação no Sudeste de Angola (Martins 2006).

Embora em contexto geográfico nacional, a área do Jardim Botânico Tropical, pela sua localização na zona urbana acolhe muitas espécies de aves de Portugal a par de espécies exóticas, geralmente escapadas de cativeiro. Este facto, possibilita a ocorrência de fenómenos de competição e hibridação, como o detectado nos Anatídeos do Jardim, actualmente em estudo. O JBT constitui, assim, um pequeno laboratório susceptível de produzir modelos úteis para a avaliação de situações equivalentes em espaços abertos e naturais.

 

Comunidade com Euphorbia dinteri no Namibe, Angola (I.Moreira)

 

Publicações relevantes

Cardoso J.F., Duarte M.C., Costa E. & Moreira I. 2006. Comunidades Vegetais da Serra da Leba. In Moreira I. (org.) Vol. I. pp. 203-224. ISAPress, Lisboa.

Catarino L. 2002. Flora e vegetação do Parque Natural das Lagoas de Cufada (Guiné-Bissau). Dissertação IICT, Lisboa. 338 pp.

Catarino L., Duarte M.C. & Diniz M.A. 2001. Aquatic and wetland plants in Guinea-Bissau: an overview.

71(2): 197-208.

Catarino L., Duarte M.C. & Moreira, L. 2001. Vegetação da Lagoa de Cufada (Guiné-Bissau): uma aproximação fitossociológica.3: 127-140.

Catarino L., Martins E.S. & Diniz M.A. 2002. Vegetation structure and ecology of the Cufada Lagoon (Guinea-Bissau). 40(3): 252-259.

Catarino L., Martins E. & Diniz M.A. 2006. Tipos fisionómicos de vegetação arbórea do Parque Natural das Lagoas de Cufada(Guiné-Bissau). 17(1/2): 69-76.

Catarino L., Martins E., Diniz M.A. & Pinto-Basto M.F. 2006. Check-List da flora vascular do Parque Natural das Lagoas de Cufada (Guiné-Bissau). 17(1/2): 97-141.

Costa E., Diniz M.A. & Catarino L. 2006. Mangais da Costa Angolana: Ecologia, Taxonomia e Conservação. In I. Moreira (org.), vol. I: 197-204. ISAPress, Lisboa.

Martins E.S. 2006. Principais Tipos de Vegetação no Sudeste de Angola. In I. Moreira (org.) , vol. I: 225-232. ISAPress, Lisboa.

Martins E., Catarino L., & Diniz M.A. 2006. Taxa novos ou pouco conhecidos do Parque Natural das Lagoas de Cufada (Guiné-Bissau).17(1/2): 69-76.

Última actualização: 21 de Março de 2007

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