24 de Fevereiro de 2017
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Animais observados no JBT

 

 

Espécies exógenas no Jardim Botânico Tropical - Quando os pardais forem raros...

 

Frequentemente as pessoas mantêm junto de si animais de várias espécies que, no geral, se designam por animais de companhia. As razões porque o fazem, as ligações que estabelecem, as dependências que se constituem e tantos outros aspectos são campos de investigação de ciências como a Sociologia, a Antropologia, a Psicologia ou a Biologia. Os animais de companhia, frequentemente exóticos, são tantas vezes objectos de consumo, produzidos quer em cativeiro, semi-cativeiro ou em liberdade controlada, quer obtidos nos seus próprios habitats.
O tráfico de animais de companhia, legal e, infelizmente, ilegal, adquire valor económico relevante em áreas tropicais e subtropicais ricas em património natural, mas com indicadores de desenvolvimento baixos.
Exportados e depois comercializados noutras regiões que não as das suas áreas naturais estes animais constituem potenciais “propágulos” das espécies a que pertencem, sempre com consequências mais ou menos danosas para as espécies autóctones.
As cidades, pelo seu número de habitantes e correspondente número de animais de companhia, são pontos de introdução de espécies exóticas; por outro lado, outras espécies exóticas já introduzidas, nomeadamente as de plantas ornamentais (as cidades têm jardins mas não recriam as paisagens naturais que as rodeiam) que podem constituir habitats de pouca qualidade para muitas espécies autóctones, constituem certamente habitats potenciais para muitas espécies exógenas.
É assim que hoje se vêm nos jardins de Lisboa várias espécies exóticas de animais de companhia, algumas, provavelmente, já estabelecidas. Se elas irão utilizar apenas a cidade ou se irão ocupar também áreas naturais só com o decorrer do tempo se constatará.
 

 

Cágados exóticos introduzidos nos lagos do JBT

 Pseudemys scripta elegans 

 Cágado de manchas vermelhas                                                           

 

 

Por vezes é colocada no género Trachemys ou Chrysemys (Trachemys ou Chrysemys scripta elegans). É uma espécie do continente americano que, em conjunto com outras espécies e sub-espécies destes géneros com taxonomia pouco fácil se distribuem pela maior parte dos Estados Unidos. Os animais muito jovens têm uma bonita cor verde-esmeralda com manchas e estrias ventrais amarelas; produzidos em cativeiro têm sido comercializados aos milhões juntamente com toneladas de alimento, aquários e outros artigos destinados ao suposto bem-estar destes cágados bebés. Muitos morrem mas muitos outros sobrevivem e estes, com uma esperança de vida da ordem do meio século, metabolismo elevado, perda da atractiva coloração verde, frequentemente, ao fim de alguns anos, deixam de corresponder à esperada imagem de animal de companhia. Desiludidos (ou cansados) os donos desfazem-se deles libertando-os nos lagos naturais ou artificiais ou em cursos de água onde podem dar origem a populações exógenas com impactos ecológicos graves nas espécies ripárias autóctones.
http://nis.gsmfc.org/nis_factsheet.php?toc_id=208
 

 

 

 

Aratinga acuticaudata subsps - aratinga de cabeça azul

 Aratinga acuticaudata subsps

 Aratinga de cabeça azul                                                                           

 

 

Distribui-se de forma descontínua com diversas populações adjacentes na Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Paraguai, Uruguai e Venezuela e são reconhecidas várias subespécies que provavelmente se misturam onde quer que tenham sido introduzidas. Foi um dos psitacídeos importados em grande número até final do século XX. Voam em pequenos bandos de cerca de 10 indivíduos, vocalizando constantemente. Confunde-se com outra espécie também introduzida e frequentemente observada – Psittacula krameri, piriquito rabo-de-junco – mas distingue-se dela pelo tamanho ligeiramente menor, pela coloração da cabeça, do bico e das patas, pelas vocalizações e, sobretudo, pelas caudais avermelhadas.
http://www.papuginowegoswiata.pl/papugi/konura/Aratinga_acuticaudata_en.pdf

 

 

Garça-cinzenta

Ardea cinerea

Garça-cinzenta; Garça-real                                                                             

De quando em vez pousam nas árvores ou junto aos lagos do JBT.
Distribui-se pela Europa, Ásia e África, sendo uma espécie frequente.


Alimenta-se não só de peixes e de outros animais aquáticos, mas também de pequenos vertebrados terrestres ou de insectos, exercendo algum controlo sobre pragas de ratos ou de gafanhotos. No entanto, têm de ser impedidas pelos aquaculturoes de se alimentarem nos tanques de cultura.


Os casais constroem nas árvores ninhos de ramos soltos e alimentam os juvenis durante cerca de dois meses, mesmo no chão, quando eles caem de ninhos tão frouxos. Geralmente nidificam em colónias que mantém durante numerosas gerações ao longo de séculos.


Não só durante as migrações, mas também, por exemplo, para se alimentarem, as garças-cinzentas voam longas distancias. Em voo, distinguem-se das cegonhas, suas parentes, por recolherem o pescoço. Nas colónias de nidificação misturam-se individuos, sobretudo novos reprodutores, oriundos de diversas áreas que podem distanciar-se mais de mil quilómetros.


Em Portugal é uma ave sobretudo invernante, mas existem pequenas colónias de nidificação.

 

 

Nycticorax nycticorax no Jardim Botânico Tropical

Nycticorax nycticorax

Garça-nocturna, Garça-da-noite, Goraz                                                                             

 

O Jardim Botânico Tropical foi visitado no dia 31 de Julho por dois juvenis desta espécie observados no topo ocidental do lago grande. Os juvenis têm a iris amarelada ou cor de ambar, tarsos e pés acinzentados e plumagem castanha, mesclada, com manchas brancas, plumagem esta que mantêm até cerca dos dois anos. Os adultos têm os tarsos amarelos, a iris vermelha e, em plumagem nupcial, apresentam duas ou três longas plumas brancas na cabeça, a região dorsal cinzento-escuro e a ventral branca.


N. nycticorax nidifica em colónias e pode constituir colónias mistas com outras espécies sendo então possível o parasitismo reprodutor, colocando as fêmeas alguns ovos em ninhos de outras espécies (1) Põe até 5 ovos de cor esverdeada ou verde-azulados, assincronos -os ovos não eclodem todos ao mesmo tempo o que, mais tarde, representa, muitas vezes, a morte do, ou dos pintos mais novos); os pintos permanecem 30 a 50 dias no ninho onde são alimentados com crustáceos, peixes, batráquios ou invertebrados. Na dieta dos adultos figuram ainda aves juvenis (1). Supõe-se que utilizam o mesmo ninho em sucessivas épocas de reprodução


É um migrante estival na Peninsula Ibérica e inverna em África (2)
Distribui-se pela Eurásia até ao Japão, Sudoeste, Centro, Sudeste e Este da Europa, e do Canadá à Terra do Fogo. Espécie generalista e com estatuto de conservação pouco preocupante é, no entanto, bastante rara em Portugal onde a população é de 25 a 50 casais (2) nidificando sobretudo a Sul do rio Tejo.

(1) Branco, J. ; H. A. Fracasso – Rev. Bras. Zool. , Vol 22, nº2, 2005
(2) http://www.icn.pt

 

 

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